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25 milhões de animais marinhos são impactados por pesca fantasma no brasil por ano, estima relatório


Aproximadamente 580 kg de redes são perdidos na costa brasileira diariamente. Petrechos de pesca matam diversas espécies e atingem até a Amazônia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Por Paulina Chamorro

Rede

Rede de emallhe atinge peixe na ilha do Arvoredo em Florianópolis, Santa Catarina.

Foto de DGPhol/Divulgação

O primeiro relatório produzido no Brasil sobre a pesca fantasma será apresentado nesta sexta-feira (7/12) e traz dados alarmantes. Por pesca fantasma, entende-se o impacto dos equipamentos, ou petrechos de pesca (redes de emalhar e de arrasto, varas, linhas, anzóis, espinhéis, armadilhas de covos, potes, entre outros), abandonados ou descartados no oceano. Eles são responsáveis pela morte de diversas espécies de peixes, crustáceos, baleias, tartarugas, tubarões e outros animais – não apenas no mar, mas também nos rios amazônicos.

Os petrechos de pesca ficam centenas de anos vagando nas águas dos mares e capturando involuntariamente os animais. E, depois que esse material, essencialmente feito de plástico, se decompõe, surge outro problema: a proliferação do microplástico nos oceanos.

Pescador

Pescador maneja rede de pesca identificada, uma das soluções encontradas pela Iniciativa Global de Combate à Pesca Fantasma.

Foto de Proteção Animal Mundial/Divulgação

O estudo Maré Fantasma, conduzido pela Organização Proteção Animal Mundial, estima que, em um ano, 25 milhões de animais marinhos na costa brasileira podem ter sido impactados pelos petrechos, causando morte, mutilação, ferimentos ou aprisionamento. Isso quer dizer que é possível que, por dia, pelo menos 69 mil animais marinhos cruzem com essas equipamentos de pesca nos mais de 7 mil quilômetros de nosso litoral.

“Quando relacionamos o impacto das redes fantasmas, estamos falando de um grau de sofrimento do animal e de mortalidade em uma escala importante. Atinge praticamente todas as espécies em qualquer ambiente marinho”, explica João Almeida, gerente de Campanha de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.

Peixe

Peixe emaranhado em rede na Praia Vermelha, Rio de Janeiro.

Foto de Áthila Bertoncini/Divulgação

O maior vilão destacado pelo estudo Maré Fantasma é a rede utilizada tanto na pesca artesanal quanto na pesca industrial. Considerando o volume produzido e importado desse petrecho e uma taxa global de descarte ou perda das redes, chegou-se à estimativa para o Brasil: aproximadamente 580 kg de redes são perdidas na costa brasileira diariamente.

“O animal que vive livre não deveria interagir com os petrechos. Toda vez que se encontram, de alguma forma, há um impacto na fauna marinha”, diz Maurício Forlani, gerente de Pesquisa da Proteção Animal Mundial.

Dados fantasmas

Existe uma enorme falta de informações sobre a atividade pesqueira no Brasil, então, não seria exagero pensar que a situação da fauna marinha pode ser ainda pior.

Apesar da grande extensão da costa brasileira, há pouca pesquisa dedicada à pesca fantasma, por isso a Proteção Animal Mundial precisou fazer estimativas nesse estudo inédito. Por exemplo: somente três estados, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, têm estudos consistentes, de cunho científico, com registros sobre a retirada de petrechos fantasmas. A somatória de dados disponíveis nessa pesquisa, além de relatos de agências de mergulho e limpeza de praia, aponta que, em pelo menos 70% do litoral brasileiro, há relatos de petrechos abandonados ou perdidos.

O impacto chega também à Amazônia. Apesar da inexistência de dados sistemáticos, o relatório aponta que a intensificação do uso de redes de emalhe já é o fator de maior pressão para as duas espécies de botos da região: o boto-cor-de-rosa e o tucuxi, provavelmente sendo o principal motivo da drástica redução dessas populações.


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Tartaruga-marinha presa em “rede invisível” é resgatada

Por causa da diminuição do número de peixes nos oceanos, pescadores estão usando mais redes, que, quando descartadas, podem virar armadilhas para animais marinhos.

Plástico e lixo marinho

Quando a análise é global, surge um número mais consistente, mas igualmente alarmante: são pelo menos 640 mil toneladas de petrechos de pesca abandonados, perdidos ou descartados no oceano a cada ano. Estes equipamentos, que podem ser boias, anzóis, redes e quaisquer outras ferramentas de pesca, representam 10 % do lixo marinho. A rede de material plástico pode demorar até 600 anos para se degradar na natureza.

Existem caminhos sendo apresentados. Para compreender a dimensão do problema das redes fantasmas no mundo e agir, a mesma Proteção Animal Mundial começou, em 2015, uma aliança intersetorial para criar soluções. A Iniciativa Global de Combate à Pesca Fantasma (GGGI, na sigla em inglês) reúne governos, setor industrial da pesca e setor privado, como redes de supermercados, comunidades de pesca, academia e pesquisa, organizações não-governamentais e intergovernamentais.

Eles buscam soluções tanto para o mapeamento do problema quanto para firmar compromissos mais duradouros. Hoje são 13 países signatários, mas o governo brasileiro ainda não aderiu.

No lançamento do relatório, nesta sexta-feira (7/12), em São Paulo, haverá o anúncio da segunda instituição brasileira a representar o país no GGGI: o Instituto Baleia Jubarte. Isso significa que a instituição se comprometerá a fornecer dados e ter acesso a financiamento para projetos dedicados a mapear a pesca fantasma.



Fonte da Notícia: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2018/12/animais-marinhos-impactados-pesca-fantasma-brasil-peixe-plastico



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