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65% das doenças que surgiram nas últimas décadas seriam zoonoses - habitat doentio


Do desmatamento ao comércio de animais silvestres, crise climática contribui para o surgimento de pandemias

RODRIGO BERTOLOTTODE ECOA, EM SÃO PAULOClodagh Kilcoyne/Reuters

O que o desmatamento tem a ver com a aceleração no ritmo das epidemias e pandemias, como a atual de coronavírus? Tudo. E quem diz isso não faz parte de nenhum grupo ecologista radical. A afirmação está, por exemplo, em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial, entidade que reúne uma vez por ano os líderes empresariais e políticos do mundo em Davos (Suíça). Segundo pesquisa, 31% dos 12.012 surtos em todo mundo entre os anos de 1980 e 2013 estão ligados diretamente a ambientes que foram devastados.

O cálculo é que 65% das doenças que surgiram nas últimas quatro décadas sejam zoonoses. Animais silvestres, seja por caça, comércio ou perda de habitat, entraram em contato com o homem, passando doenças que antes estavam restritas à selva. Foi assim com o ébola, zika, Aids e agora com o coronavírus.

A origem mais aceita cientificamente é que o Covid-19 contaminou humanos a partir do mercado de Wuhan, na China, que comercializava animais (vivos ou mortos) como morcegos, cobras, civetas, entre outros animais silvestres. E essa é uma história que se repete. O surto de ébola de 2014 na África Ocidental se deu por contato com macacos. Já as mortes pelo nipah em Bangladesh, em 2004, aconteceram pela proximidade com fluídos de morcegos chamados de "raposas voadoras". Esses dois vírus têm letalidade bem maior que o coronavírus e são classificados como "bombas-relógio" que também podem causar pandemias.

Por outro lado, o aquecimento global está derretendo geleiras que preservaram vírus antigos que estavam encapsulados e eram desconhecidos até agora. "Esses desequilíbrios e desregulações criam fenômenos que depois a ciência tem que se preocupar e correr para resolver", afirma Ricardo Abramovay, professor sênior do Programa de Ciência Ambiental da USP.

A crise climática torna-se ainda mais urgente.

Rapidez viral, lentidão política

Minimizar crises urgentes tem sido a retórica do atual ocupante do palácio do Planalto. Durante as queimadas na Amazônia em 2019, Jair Bolsonaro falou em "dados infundados" quando imagens satelitais da Nasa mostravam a floresta sendo incinerada por incêndios criminosos. Agora, o presidente trata a pandemia como "gripezinha" e as medidas para controlá-la como "histeria" e "neurose", enquanto a doença devasta vidas e economias pelo mundo.

Especialistas apontam a necessidade cada vez maior de uma coordenação mundial para combater essas pandemias. Mas o coronavírus encontrou um mundo em que o crescente nacionalismo faz com que países como EUA, Reino Unido, Itália, Índia, Brasil, entre outros sejam contrários à ingerência de organismos supranacionais em suas políticas.

"É preciso uma governança global para administrar riscos desse tamanho. É ilusória a ideia de que essa crise vai mudar o modo de viver das pessoas e o modo de governar desses políticos. Agora é um momento especial de repensar nosso modelo de crescimento. Crescer para quem? Para onde? Para que?", questiona Abramovay.

No caso do Brasil, a pandemia chegou em uma época de corte nos gastos em pesquisa científica (cancelamentos de bolsas) e saúde pública (redução do programa Mais Médicos, por exemplo). Soma-se a isso a restrição à Lei de Acesso à Informação, imposta por medida provisória presidencial na última segunda, que limita o acesso aos dados do governo sobre o assunto. Sem informação, pesquisa e aplicação é difícil fazer frente à velocidade do vírus.

Danilo Verpa/FolhapressDanilo

Meu laboratório é na mata

Os governos da China e EUA fazem uma guerra de propaganda para achar um culpado pela atual pandemia. O governo de Donald Trump insiste em chamar o coronavírus de "vírus chinês" ou "vírus de Wuhan", enquanto sites chineses veiculam a versão de que os norte-americanos implantaram o vírus em seu país.

Claro que as grandes potências contam com laboratórios que armazenam verdadeiras armas biológicas, incluindo vírus e bactérias que podem causar surtos em território inimigo. Mas a atual pandemia tem sua origem bem clara, afinal, os coronavírus são um grupo de vírus que apresentam alta taxa de mutação, e as cepas que estão infestando o mundo possuem antepassados em animais silvestres. Em 2012, um coronavírus causou um surto de Mers no Oriente Médio a partir de camelos. Em 2002, outro foi a razão da irrupção do Sars na China, provavelmente tendo como origem pequenos mamíferos chamados civetas.

"A velocidade natural de mutação do vírus é muito maior do que a capacidade atual de manipulação genética do homem. Não faz sentido cientificamente. E o homem até agora não criou vida em laboratório: ele só armazena vírus já existentes", explica o biólogo Luiz Nali, especialista em virologia e professor da UNISA (Universidade Santo Amaro).

Um exemplo disso é o influenza, vírus da gripe, que tem um grande poder de recombinação de genes. Já se constatou que, se uma célula é atacada ao mesmo tempo pelo vírus da febre aviária e da febre suína, ocorre tamanho embaralhamento genético ali dentro que surgem novos vírus, alguns mais eficientes que seus predecessores.

Para além dos grandes laboratórios controlados pelos países ricos, o temor é que no futuro uma onda de bioterrorismo venha de onde menos se espera. "O barateamento da engenharia genética, com kits quase caseiros vendidos pela internet, preocupa porque o bioterrorismo surge como possibilidade na mão de qualquer pessoa", afirma Abramovay.

Em sua coluna em Ecoa, Mariana Belmont levantou dados alarmantes da ONG Renctas. O tráfico de animais silvestres movimenta cerca de US$ 10 a 20 bilhões (entre R$ 52 e R$ 104 bi) em todo o mundo, colocando o comércio ilegal de animais silvestres na terceira maior atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. E o Brasil participa com 15% desse valor, aproximadamente US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,7 bi). A devastação das florestas e a retirada de animais silvestres já causaram a extinção de inúmeras espécies e consequentemente um desequilíbrio ecológico. Os mais exóticos, raros e até ferozes, dentre muitos outros, pagam com a vida pelo simples prazer que algumas pessoas têm em possuir um animal silvestre em casa ou em consumir suas peles e carnes.

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Barcroft Media/Barcroft Media via Getty ImagesBarcroft

Vírus viajante

Variações climáticas, devastação de habitats, expansão de cultivos, estradas e garimpos em meio a florestas podem se transformar em gatilhos para surtos viróticos. A mudança no padrão de migração de aves migratórias é apontada como uma das razões para o aumento de casos de gripe aviária na Ásia: patos selvagens, que são reservatórios do vírus, que não puderam mais veranear em lagos naturais, porque os humanos se avizinharam, acabaram pousando em granjas e passando a doença para seus colegas domesticados.

Também é conhecida a ligação dos chimpanzés com a disseminação da Aids. "A urbanização e desmatamento na África Ocidental fez o homem ficar mais em contato com os chimpanzés. O HIV já tinha passado para o homem no início do século 20 pela ingestão da carne, mas o vírus foi evoluindo e ficou muito eficiente até o surgimento da crise mundial da Aids na década de 1980", relata o geneticista Antônio Coelho, pesquisador da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) que estudou esse fenômeno. Outro exemplo de vírus devastador pelo consumo de carne de chimpanzé é o ébola, cuja letalidade média é de 50%, ou seja, metade dos infectados morrem.

A atual pandemia tem três possíveis origens, afinal, coronavírus similares foram encontrados em cobras, morcegos e pangolins na China. Já o vírus nipah infecta principalmente trabalhadores que coletam tâmaras em Bangladesh e Malásia e convivem com a concorrência de morcegos frutíferos que saem das matas para os cultivos. A letalidade chega a 70%.

Edwin Remsberg/Universal Images Group via Getty ImagesEdwin

O GPS das doenças

A poluição e o calor, consequência do crescimento econômico desenfreado, são dois fatores que diminuem a imunidade humana e facilitam a expansão virótica.

Há várias áreas de conhecimento se unindo para entender a dinâmica das epidemias. Virologia, ecologia, epidemiologia, genética, saúde pública, veterinária e outras se combinam para o surgimento de novas fronteiras da ciência como a ecologia das doenças, a saúde planetária e a metagenômica (ou genômica ambiental). A ideia é que para entender as doenças é preciso misturar os saberes do corpo, do ambiente e do mundo.

Com essa abrangência, dá para traçar a ligação entre o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana em 2015 e os surtos de febre amarela em Minas Gerais nos anos seguintes. Pesquisas apontaram que a eliminação de predadores das larvas de mosquito e o enfraquecimento da imunidade dos macacos da região foram fatores que facilitaram a proliferação de vírus em regiões com mais adensamento populacional.

Pelo menos, a atual quarentena quase mundial por conta da Covid-19 gerou uma notícia boa: a poluição diminuiu. Os céus chineses ficaram límpidos, as águas de Veneza estão quase cristalinas, e o trânsito paulistano flui como em um feriado prolongado. Há um cálculo que o mesmo coronavírus que vitimou mais de 3.300 pessoas na China tenha salvo, como efeito colateral, 77 mil almas que morreriam no mesmo período em consequência da poluição (anualmente aproximadamente nove milhões de pessoas morrem por essa causa).

Andrea Pattaro/AFPAndrea

Quanto mais quente...

Os efeitos da crise climática e do acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera vão muito além do aumento do nível do mar, tão noticiado por pesquisadores e imprensa. O aquecimento do planeta também modifica a dinâmica das doenças. Como aponta Katherine Heyhoe, diretora do centro de Ciências do Clima da Universidade Tech do Texas (EUA), as áreas de incidência da dengue, zika e chikungunya vão migrar para áreas que agora são classificadas como "temperadas" junto com o mosquito Aedes aegypti, vetor dessas enfermidades. Já a gripe influenza, segundo ela, deve circular o ano todo e não só no inverno como acontece atualmente. "Nos invernos menos rigorosos, as pessoas se vacinam menos, e a doença se espalha mais", afirma Heyhoe.

Segundo alguns geólogos, o planeta Terra já estaria no antropoceno, era geológica em que o homem seria o principal fator de mudanças na crosta terrestre. Esse período teria começado com a revolução industrial no século 18. Outros usam como marcador as explosões atômicas do século 20 e a grande aceleração econômica após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A questão é que um mundo em constantes mudanças, sem calcular os efeitos delas, também é o lugar ideal para novas doenças e pandemias. "Esse é o preço que estamos pagando por priorizarmos tanto o desenvolvimento econômico", afirmou Kate Jones, pesquisadora de biodiversidade da UCL (University College London) e especialista em morcegos, em entrevista para jornal britânico "Guardian". Ela fez parte de um grupo de pesquisa que identificou 335 doenças que surgiram desde 1960, com 60% delas vindas de animais.

Nós, humanos, entramos em grande número, interferimos em matas virgens e ecosistemas complexos e depois nos surpreendemos quando novos vírus estão entre nós

Katherine Heyhoe, diretora do centro de Ciências do Clima da Universidade Tech do Texas (EUA)

Lam Yik Fei/Getty ImagesLam

Tudo é muito natural

A questão que fica para depois do período de calamidade é: como poderemos ter de volta ares e águas limpos como agora sem comprometer a economia.

Tem gente que vê a atual pandemia como uma vingança da natureza em relação à cobiça humana. Não é o caso do geneticista Antônio Coelho. "A natureza não tem moralidade, não tem consciência. Mas também não tem controle. Ela não é boa nem má para o homem. Ela estava aqui antes do homem e vai continuar se ele se extinguir", filosofa.

Se o contato com a natureza pode trazer doenças, o que devemos fazer? Cimentar e azulejar as florestas? Entrar em pânico ao nos aproximar de um baldio com mato alto? Nem um, nem outro. Como essa pandemia mostrou, a informação é a principal arma. Pesquisar o desconhecido é a melhor forma de lidar com ele.

Para José Eli da Veiga, professor sênior da Faculdade de Economia da USP e especialista em economia socioambiental, ainda é cedo para tirar conclusões da atual pandemia. "Mas não dá para ter uma visão idealista e achar que essa crise vai mudar a mentalidade dos governos e das empresas. Eles querem voltar ao que estavam fazendo o quanto antes. Só vamos saber os impactos e as mudanças dessa crise lá para o ano 2030."

Heyhoe concorda com essa visão e projeta que a produção industrial e a emissão de carbono vão voltar ao nível que estavam antes do coronavírus mandar o homem de volta para suas cavernas. Mas ela tem um fio de esperança.

"Eu realmente espero que essa situação nos mostre que há um modo diferente de viver. Não importa em que lado do espectro político você esteja: todos nós queremos um lugar seguro para viver, comida, recursos, empregos e, acima de tudo, queremos saúde para nós, nossos amigos, nossa família, nossa comunidade, nosso país e nosso mundo", escreveu em sua página no Twitter.

Anadolu Agency/Anadolu Agency via Getty ImagesAnadolu

É preciso mudar

Algumas medidas já foram tomadas. A China baniu o comércio e o consumo de animais silvestres (exceção para alguns usos de sua medicina tradicional). O vizinho Vietnã fez medida semelhante. Mas a preservação da natureza tem de ir além dessas proibições imediatas.

Autor do texto citado no início desta reportagem, John Scott aponta que a biodiversidade aumenta a possibilidade de combater essas pandemias, afinal, 50% dos novos remédios têm como base plantas e levam em conta usos tradicionais delas.

Scott, que é especialista em riscos de sustentabilidade da companhia de seguros Zurich, destaca também que, apesar do aumento do ritmo das epidemias, o impacto dessas doenças vem diminuindo por avanços médicos e por redes de saúde pública mais amplas.

Teríamos de aproveitar essa oportunidade para investir mais em energias renováveis e uma economia mais sustentável



Fonte da Notícia: Internet



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