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A história de neymar, o cãozinho que ninguém quer adotar


Com sua inseparável bola de futebol, o cachorrinho Neymar vive em um abrigo em Campo Grande há 8 anos, com mais 40 cães. Resgatado da rua, já foi adotado e devolvido, e hoje é símbolo de ONG para adoção de cães vira-latas.


 


 



Por Jaqueline Naujorks, Campo Grande


18/08/2018 11h00  Atualizado há 4 semanas


Neymar tem um topete estiloso e seu brinquedo predileto é uma bola de futebol. Ele tem 9 anos e vive em uma ONG que acolhe cãezinhos resgatados em Campo Grande, MS. Já foi adotado, mas voltou para o canil, devolvido pela família.


Neymar é o mais antigo morador do abrigo, já participou de feiras de adoção, viu vários cães irem embora com as novas famílias, mas ele ficou: Ninguém quer adotá-lo.


Neymar,


Neymar, o cãozinho de topete e que adora brincar de bola, vive há 8 anos em um abrigo de Campo Grande — Foto: Jaqueline Naujorks


A presidente da ONG, Cleusa Martins, mora no local para cuidar dos 40 cães vira-latas do abrigo, e conta que há um motivo para Neymar não ser o escolhido: Ele tem leishmaniose e precisa de uma família disposta a se comprometer com o tratamento.


 


"Ele precisa de uma família que possa cuidar, dar a medicação, fazer acompanhamento com veterinário e que entenda que ele é idosinho, tem as manias dele. Neymar só precisa de cuidado, compreensão e amor", conta.

 


Neymar veio junto com outros cães resgatados pela fundadora da ONG, Sueli, que já faleceu. Cleusa, amiga dela, foi quem assumiu o projeto que se mantém com doações. Hoje ele não é mais tão ativo nas brincadeiras com os outros cães, gosta de ficar no canto dele, dentro da baia onde vive. Mas quando é levado para fora da área comum, já procura por seu brinquedo predileto: uma bola de futebol, presente de uma voluntária.


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O cãozinho Neymar tem sua própria bola de futebol para brincar na ONG — Foto: Jaqueline Naujorks


Além de Neymar, a ONG Vira-Latas cuida de mais 4 cães com leishmaniose. Ringo, de gravatinha, é um deles. Os cachorros doentes tomam medicação e tem acompanhamento veterinário, mas a conta do abrigo com as clínicas passa de R$12 mil. O desejo de Cleusa é que os cães encontrem uma família com condições financeiras de cuidar da saúde deles.


Neymar


Neymar e Ringo tem leishmaniose; cães doentes ficam para trás na hora da adoção — Foto: Jaqueline Naujorks / TV Morena


 


"Já deixei de comer para não faltar comida para eles"


 


Cleusa mora sozinha numa edícula dentro da ONG. Ela saiu do emprego para cuidar dos cachorros, junto com Sueli. Quando a amiga morreu, ela passou a cuidar de tudo, absolutamente sozinha:


 


"Teve um dia que eu não tinha dinheiro para comprar comida nem pra mim e nem pra eles. Sentei nesse pátio no meio dos cachorros e chorei, chorei muito. Choro só de lembrar desse dia. Perguntei para a Sueli por que ela tinha me envolvido nessa causa, se eu não dava conta de cuidar. Foi aí que eu lembrei de uma amiga que nos ajudou lá no começo, liguei para ela, contei tudo, ela acionou outros voluntários e as doações nos salvaram", relata, emocionada.

 


Cleusa não tem renda nenhuma, sobrevive das doações que a Vira-Latas recebe: "Já deixei de comer para não faltar comida para eles, esses dias eu estava com a água cortada, não podia lavar nada. Tem dias que é desesperador, a gente não sabe como vai ser o dia de amanhã, do que vamos viver".



Hoje, a conta de água da ONG é de R$8 mil: "O dinheiro que eu tenho é nosso. O que tem para a comida divido com eles, o dinheiro para a luz, para a água, meu tempo e meu cuidado, tudo. Só sei que eles precisam de mim e eu tenho que estar bem para cuidar deles", conta.


Entre tantos nomes - "Mãezinha", "Túlio", "Florinda", "Hércules" - Cleuza chama por "Menina" e ela sobe na cama. A cachorrinha foi resgatada na rua, e os cães do abrigo não a aceitaram bem: "A Menina fica aqui comigo porque os outros batem nela, tadinha. Já  até mimada!" brinca.


Cleuza,


Cleuza, no quartinho em que mora dentro da ONG, com a cachorrinha Menina. — Foto: Jaqueline Naujorks


 


Visitas às futuras famílias


 


Valéria é autônoma, mas o tempo livre que tem passa todo em função da Vira-latas. É ela que faz as visitas às famílias que se interessam em adotar os bichinhos: "Nós vamos conhecer o lugar e ver se a pessoa tem espaço, se tem condições de cuidar. Às vezes é alguém que quer muito adotar, mas já tem outros bichos e pode não ter como assumir mais um, apesar da boa vontade" explica.


 


"Nós só encaminhamos eles às famílias quando temos certeza que será o melhor para o cachorro. Criamos um amor enorme por eles, e aqui temos certeza que estão bem cuidados, queremos ter a mesma certeza quando eles vão embora".

 


Valéria


Valéria com Neymar e os cãezinhos do abrigo: "Queremos ter certeza que serão bem cuidados" — Foto: Jaqueline Naujorks


Os cães saem da ONG vermifugados e castrados. As famílias interessadas fazem um cadastro e assumem o compromisso de cuidar do novo companheiro. Hércules, na foto com Valéria, também espera por um lar especial. Ele tem leishmaniose e seu caso é ainda mais difícil, porque ele é de grande porte: "Apesar da doença, ele é um cachorro ativo e brincalhão", conta a voluntária.


Hércules


Hércules também tem leish e aguarda por um lar especial — Foto: Jaqueline Naujorks


Rodeada de seus companheiros de vida, Cleusa passa nas baias para a ronda da tarde. Verifica se todos tem ração e água, chama pelo nome, baixa as cortinas se o sol está forte, faz um carinho retribuído com pulos que quase a derrubam - e ela ri.


Para quem escolheu dividir a vida com cães abandonados, cuidar deles não é um sacrifício. Cleusa, além de Neymar, que virou símbolo da ONG de vira-latas, tem muitas outras personalidades no lar que cuida como mãe: "Eu vivo sozinha mas não sou sozinha. Enquanto eu viver, viverei para eles", finaliza.


Cleusa



Fonte da Notcia: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2018/08/18/a-historia-de-neymar-o-caozinho-que-ninguem-quer-adotar.ghtml



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