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Vida urbana: cobras criadas


CELINA CÔRTES, celina.cortes@jb.com.br


Quando a pediatra Sylvia Esch voltava do fim de semana em Teresópolis, na serra fluminense, deparou-se com uma desagradável surpresa ao entrar no quarto de seu apartamento térreo no Horto Florestal, Zona Sul do Rio: uma cobra passeando sobre o tênis de seu marido. O casal chamou os bombeiros, que não demoraram a chegar, e retiraram o filhote da, já identificada, jiboia — não venenosa. Depois de virar a noite desta segunda-feira no plantão, já a caminho de casa, ela foi avisada pelo marido que tinha aparecido outra jiboia no apartamento. “Passei o fim de semana no mato, não vi nenhuma cobra, e elas foram aparecer logo no meu quarto”, lamentou a médica. 


A presença de cobras em áreas urbanas, segundo o biólogo Cláudio Machado, responsável pelo serpentário do Instituto Vital Brazil, é mais comum do que se imagina. “Também acontece bastante na cidade, há muitas notificações no Rio de Janeiro e em São Paulo, aquela selva de pedra. A população está enganada ao achar que esse tipo de situação só ocorre nas áreas rurais”, disse. O maior problema, segundo ele, é que só há dois hospitais de referência no município do Rio de Janeiro para esse tipo de atendimento: o Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e o Pedro II, em Santa Cruz, ambos na Zona Oeste. 



Atraída por mamão colocado na janela, jiboia invadiu quarto de uma moradora do Horto Florestal


A boa notícia é a eficiência do Corpo de Bombeiros para resolver rapidamente o problema. Eles apareceram logo em seguida à solicitação de Sylvia e receberam elogios da advogada Beatriz Perez, que já encontrou duas enormes jiboias em seu apartamento no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Ela postou um vídeo da cobra no Facebook e teve 758 visualizações para a imagem dos bombeiros dominando a jiboia: “Esse mimo, de mais de dois metros, resolveu se hospedar na minha casa. Bombeiros nota mil! Chegaram super rápido e resolveram com eficiência”, descreveu.


A nota de pesar é que a assessoria dos bombeiros não providencia estatísticas sobre este tipo de incidência: os registros são feitos sobre “captura de animais”, sem maiores especificações. Tampouco há referências sobre os bairros de maior ocorrência, porém, não é difícil supor que os locais mais comuns são os bairros fronteiriços às fl orestas, como o Jardim Botânico, o Alto da Boa Vista (Zona Norte), Cosme Velho (Zona Sul) e Santa Teresa (Centro). As cobras capturadas são devolvidas às matas.


Fruta para passarinho atrai 


Depois de se mudar para o Horto, no ano passado, Sylvia Esch passou a colocar pedaços de fruta na janela para atrair passarinhos, e uma das diversões do casal é apreciar o balé de saíras sete cores, sabiás, tiês sangue e outros que costumam visitar o local: “É uma pena, teremos de parar com isso e passaremos a manter tudo fechado”. 


De acordo com o biólogo Cláudio Machado, cobras, como as corais, cujo veneno é dos mais letais, costumam aparecer mais nos dias mais quentes, principalmente depois das chuvas. “Nos dias mais frios as cobras, de uma maneira geral, procuram abrigos e ficam mais recolhidas.” Machado alerta sobre a necessidade de treinamento para os médicos, de forma que eles aprendam a identificar as picadas de cobra, já que para cada uma delas há um tipo de soro específico. “Muitas vezes os médicos nem sabem fazer esse reconhecimento pelos sintomas apresentados pelas vítimas, mesmo nos hospitais de referência. Também falta um 0800, um centro de informações, como o 193 para chamar os bombeiros, sobre esse tipo de necessidade”, alerta.


 



Fonte da Notícia: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2018/05/12/vida-urbana-cobras-criadas/



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