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Segurança: cães de corporações constroem uma parceria de coragem e respeito


Para atuar nas funções de combate, os cachorros das forças da Segurança Pública estabelecem uma relação fiel com quem os guia


 


 


 


 


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 postado em 16/10/2017 06:00


 Isa Stacciarini


16/10 - Cães ajudam policiais e bombeiros


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  • Carlos Vieira/CB/D.A Press


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Os latidos eufóricos e os pulos de felicidade indicam que a entrada no canil é de alguém conhecido. À medida em que o cheiro familiar se aproxima, a alegria é tanta que eles não se contêm. O barulho é proporcional à vontade de sair dali para encarar a próxima missão. Junto da voz que os conduz, tornam-se obedientes.


 


Ao lado dos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, os cães das corporações constroem uma parceria de coragem, respeito e lealdade. Em troca, ganham muito mais do que a recompensa do brinquedo: recebem, de volta, a amizade e a confiança das mulheres e dos homens de farda.


 


Para atuar nas funções de combate, os cachorros das forças da Segurança Pública estabelecem uma relação fiel com quem os guia. Só agem ao primeiro sinal. E, quando recebem a ordem, partem sempre para o resgate — seja de vítimas, de criminosos ou de entorpecentes.


 


Nas ações de policiamento, eles também são usados para manter a ordem e encontrar materiais como drogas ou explosivos, por exemplo. No dia a dia das operações o cão é uma extensão do militar que, em certos casos, possuem uma capacidade limitada: seja de encontrar algo com a rapidez do animal ou de ter acesso a um local restrito por conta de escombros após um desabamento, por exemplo.


 


Com personalidades distintas, os animais são escolhidos a dedo. Além da raça, importa, ainda nos primeiros meses, o cão curioso e que tenha postura proativa e de liderança. Por essa razão, o contato inicial é de observação. Depois da escolha, eles passam pela fase de socialização, adaptação, obediência e treinamento. O policial instrutor acaba se tornando a referência do animal.


 


Juntos, policial e cão percorrem cenas de crimes, embarcam em matas, mergulham na água, entram em lugares fechados e chegam a viajar quilômetros com um único propósito: preservar a segurança e a vida de pessoas. Quando encontram o alvo, os cães recebem o afago do amigo e o brinquedo. Para eles, tudo não passa de uma grande brincadeira, mas com grande responsabilidade técnica e profissional.
 



 


Mais ágeis


No Corpo de Bombeiros, 12 cães realizam o trabalho de busca e salvamento ao lado dos militares. De labrador a pastor alemão, cinco deles estão na ativa. Um já se aposentou e outros seis estão em treinamento, incluindo Sheik, um pastor belga de malinois que chegou de Minas Gerais há pouco mais de dois meses. O mais antigo, o Zeca, é um labrador preto prestes a fazer 8 anos, mas com tanta vitalidade que os militares têm pena de aposentá-lo.


 


Os animais começam a agir na rua quando alcançam a idade adulta: de um ano e meio a dois anos. Como são de grande porte e vivem entre 12 a 14 anos, eles param de participar das missões a partir dos 8. Quando se aposentam, geralmente quem os adota é o militar de confiança do cão que trabalhou com ele a vida inteira.


 


O comandante da Companhia de Salvamento Terrestre do Grupamento de Busca e Salvamento dos Bombeiros, tenente Victor Mendonça, explica que os cães da corporação atuam de duas formas: para encontrar a pessoa em óbito, rastreando pelo cheiro, e para procurar desaparecidos, após se ambientar com o cenário. “Ele sempre faz a associação do brinquedo à premiação quando encontra a vítima”.


 


Quando há mais de uma vítima, o cão só recebe o prêmio do brinquedo após encontrar a última delas, conta o sargento Daniel Barrela. Nas ações, segundo ele, os cães vão para ribanceiras, córregos e regiões de difícil acesso, mas tudo é feito com psicologia e respeito à saúde física e mental do animal.


 


Na visão do sargento, o cão tem uma leitura corporal mais rápida. “A maior diferença dele para o humano é a velocidade. Ele não precisa estar vendo para encontrar uma vítima. O animal faz isso pelo odor. Sem o cão, o militar consegue realizar o trabalho, mas, como a vítima, muitas vezes, está inconsciente, a busca é mais longa”, compara.


 


Fugitivos


No Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães) há 78 animais das raças pastor belga de malinois e pastor alemão, além de labradores. Lá, eles agem em quatro situações. Duas são de defesa social: o policiamento para manutenção da ordem pública, como nas manifestações, e a busca e captura de fugitivos. Já as outras duas são atuações pelo olfato: eles usam o faro para detectar entorpecentes e armas, e para localizar explosivos.


 


Entre os 7 e os 9 meses de idade os animais que vão atuar na localização de entorpecentes já estão aptos a ir para operação, afirma o subcomandante do BPCães, capitão André Hideki. Já no caso de busca e captura o ideal é esperar o cão atingir um ano e meio. “O cão é uma ferramenta indispensável, porque o olfato dele é 40 vezes superior ao do homem”, destaca.


 


Segundo Hideki, o cachorro especializado em detectar explosivos só atua nessa área. Já os que procuram entorpecentes também podem estar aptos a ir atrás de algum criminoso em fuga. Diferentemente da atuação entre os Bombeiros, na PM, os cães são treinados para não latir quando encontram drogas ou artefatos explosivos. As características do trabalho são distintas, e a orientação, nesses casos, é para que eles se sentem ou se deitem.


 


Esse cuidado com a postura do animal é essencial no caso desses tipos de materiais encontrados. “A gente treina a indicação passiva, porque no caso de um explosivo, por exemplo, se o cachorro, por acaso, der uma patada pode ser perigoso”, explica o capitão.


 


Há cerca de duas semanas, o efetivo da PM aumentou: a corporação ganhou 20 filhotes — 10 por doação e os outros por reprodução, no próprio batalhão. O mais antigo já tem 8 anos. Enquanto ele se prepara para a aposentadoria, os novatos aguardam a hora de começar a treinar.


 


O resultado da aprendizagem dos cães costuma surpreender. “Estamos há três dias nessa atividade e já percebo como ele evoluiu”, disse o soldado Edilaine Soares Barbosa, 33 anos, durante o treinamento de um cão para missões. “O cachorro é a melhor ferramenta de trabalho, porque ele trás um resultado fantástico que o homem sozinho teria dificuldade sem a ajuda dele.”


 


 


» Preparados para cumprir ordens


 


O treinamento varia de acordo com as modalidades de atuação dos cães, que têm objetivos e características peculiares em cada corporação. Veja quais são.


 


Bombeiros


 


Cães de rastreio


Materiais biológicos de corpos de indigentes no Instituto Médico Legal (IML), em diferentes graus de composição, são coletados e o odor colocado dentro dos brinquedos para serem encontrados. A corporação possui parceria com a Polícia Civil.


 


Busca de pessoas desaparecidas


Procuram a partir do gênero humano. Após se socializar no ambiente, o cachorro vai em busca de quem não estava no cenário e do cheiro diferente que ele não sentiu.


* Nos Bombeiros, os cães podem ser treinados para as duas funções.



Polícia Militar


 


Cães farejadores


O olfato é treinado com o brinquedo ou panos que são colocados próximos aos entorpecentes, explosivos ou armas. Portanto, nunca ocorre o contato direto animal com as substâncias químicas.


 


Cães na manutenção da ordem pública


Treinados para agir a partir do comando do policial, de atacar. Quando não há sinalização, o animal não ameaça.


 


Cães na busca e captura de criminoso


Geralmente esses cachorros seguem a rota que está em distúrbio ou desequilíbrio após a passagem de uma pessoa em fuga. No entanto, um ambiente com muito vento ou outras variáveis pode prejudicar a percepção do animal.


* Os cães do BPCães treinados para encontrar droga eventualmente são habilitados para busca e captura de fugitivos. No entanto, os que encontram explosivos são especializados na função.





Talento para o turismo


 


Em junho deste ano, um cãozinho foi dispensado da polícia, em Queensland, na Austrália, por ser dócil demais para o cargo que ocupava. Gavel, hoje com 1 ano, entrou para a corporação em abril de 2016, com apenas seis semanas de vida. Ao longo dos treinamentos, porém, ele mostrou-se mais interessado em brincar e pedir carinho na barriga do que em perseguir criminosos. Em uma turma de 40 cachorros, foi o único reprovado. Mas não ficou sem trabalho. “Contratado” pelo governo local, Gavel agora usa a vocação sociável para recepcionar turistas que visitam a sede do Executivo local e acompanhar o governador de Queensland, Paul de Jersey, em alguns compromissos oficiais.
 



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