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Ausência de ânus em cães e gatos



Atresia anal associada a fístula retrovaginal em cães

A ausência do â;nus ocorre quando a membrana que separa o intestino anterior, endotérmico, da fosseta anal, ectodérmica, deixa de perfura-se. A atresia anal é uma anormalidade congênita que ocorre devido ao desenvolvimento embrionário anormal da região cloacal, uma abertura comum para o trato gastrointestinal, urinário e reprodutivo, e que acomete a abertura anal e o reto terminal, resultando em não abertura da saída anal. Este tipo de anomalia ocorre na ordem de 1 em 500 nascimentos, sendo de rara incidência em cães e gatos. Os proprietários de filhotes com anomalias anorretais congênitas, geralmente procuram ajuda profissional com duas a seis semanas, em média, de idade do seu animal, pois observam ausência de defecação pela anomalia das estruturas perianais ou pela expulsão destas fezes por orifícios impróprios.

A atresia anal é classificada em quatro tipos. O tipo I (â;nus imperfurado) ocorre quando há persistência de uma membrana sobre a abertura anal e o reto termina como uma bolsa cega cranial ao â;nus fechado. No tipo II, o â;nus está fechado, resultante da persistência da membrana anal, mas a bolsa retal está localizada cranial à membrana sobreposta ao â;nus, ou seja, o esfíncter anal está usualmente intacto e funcional. No tipo III, o reto termina como uma bolsa cega cranialmente dentro do canal pélvico e o reto e o â;nus terminais estão normais. No tipo IV, que ocorre em fêmeas, há uma comunicação persistente entre o reto e a vagina (fístula retrovaginal) ou entre o reto e a uretra (fístula retouretral).


Os sinais clínicos são decorrentes do tipo de atresia que o animal apresenta, porém, geralmente estão associados ao tenesmo, intumescimento do períneo, ausência de fezes, distensão abdominal, passagem de fezes aquosas pela vagina ou pela uretra, eritema perivulvar, cistite, hematúria, urolitíase, sinais de incômodo, vômito e perda de apetite.


O diagnóstico dessa afecção é baseado no histórico de ausência de defecação e da abertura anal, dos sinais clínicos e do exame físico. Para auxiliar no diagnóstico, pode ser feito exame radiográfico de contraste positivo do reto ou da vagina, uretrografia retrógrada com contraste positivo ou cistouretrografia de esvaziamento. A radiografia abdominal é importante para saber que tipo de atresia anal o animal esta apresentando e a localização terminal do reto.


O tratamento é a intervenção cirúrgica, sendo que cada tipo de atresia anal irá levar a um tipo de procedimento. Lesões do tipo IV requerem fechamento dos defeitos retais, vaginais e uretrais; já o tipo I, há pouco mais que o tecido cutâ;neo e subcutâ;neo permanecendo imperfurado, sendo possível uma reconstrução cirúrgica satisfatória desde que o esfíncter muscular e o reto sejam adequadamente preservados. Nos casos tipos II e III, além da membrana imperfurada, há necessidade de divulsão da região anal para tração do reto e abertura do mesmo. O prognóstico é desfavorável e a mortalidade cirúrgica é elevada, pois estes pacientes são jovens e apresenta más condições físicas, o que aumenta os riscos anestésicos e cirúrgicos. Como o diagnóstico muitas vezes é tardio, a distensão crônica do reto e do cólon pode causar lesões irreversíveis. Se ocorrer lesão do esfíncter anal externo ou da sua inervação pode ocorrer incontinência fecal temporária ou permanente.



Contatos dos Autores:
Elaine da Silva Soares Website.: www.facebook.com/elaine.soares.14 Graduada pela Faculdade Multivix, Castelo/ES. Atua como plantonista nas áreas de clínica e cirurgia de pequenos animais. CRMV: 01970 VP / ES Contato: (28) 99902 8139 / (28) 99251



O conteúdo presente no texto acima é responsabilidade dos Autores citados

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