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Vozes silenciosas


toda pessoa do cavalo se esfora por entender os cavalos, para interpretar o que os motiva, os amedronta; como fazer para facilitar sua comunicao com eles em geral, nossas conclus?es so produto de dias ou meses de conviv?ncia com determinado animal, observando suas reaes, trabalhando com ele, estudando a maneira como ele interage com outros cavalos, e por a vai raras vezes, ao estar com algum cavalo, tive insights instantneos, uma ideia, imagem ou frase que chegou pronta para mim, e que nunca mais esqueci no vou nem pretender oferecer hipteses ou explicaes sobre a origem destas revelaes, e muito menos se elas so verdadeiras ou obra da minha mente criativa sei que elas no foram hipteses escritas palavra a palavra, mas que vieram prontas, maneira de se olhar para uma fotografia cuja realidade intrnseca compreendemos em um segundo, mesmo que no saibamos descrever ao certo o que estamos vendo leiam, sintam, e, se quiserem, contribuam com suas prprias percepes experi?ncias jnotar?o que dentr estas vozes, predominam as e guas, nos assuntos relativos reproduo talvez seja porque as matrizes so mais comunicativas expansivas (tanto que a maior parte das vocalizaes entre cavalos se d?o entre guas e seus potrinhos); talvez porque as e guas, ou ao menos algumas delas, vejam nos potros a raz?o maior da prpria exist?ncia, e aquilo sobre que realmente vale a pena dizer alguma coisa e mas, caso haja alguma verdade nas minhas pequenas epifanias, vocs ver?o que h diverg?ncias entre as e guas neste tpico e abraos, claudia e sinto-me sozinha e tenho medo de no saber o que fazer j no sou t?o jovem, este ser e o meu primeiro e sinto falta de minhas irm?s no natural para ns dar luz sem as irm?s por perto depois de adulta, nunca vi nenhum potro nascer e (uma e gua ao final de sua prenhez tentei explicar a ela que haveria pessoas por perto, que todos a amavam esperavam ansiosos pelo potro, e que ela no precisava se preocupar o potro nasceu bem, mas m?e filho precisaram de alguma ajuda para o primeiro reconhecimento mtuo) e e pensei que voc havia me mandado embora porque eu estava manco eu no sabia para onde estava indo fiquei achando que eu no lhe servia mais, que tinha sido vendido e (pegando carona no trailer de um amigo, eu havia levado zacarias para uma clnica de salto ele mancou no segundo dia, e optei por mand-lo de volta para casa pegando carona em outro caminh?o esta e imagem e veio quando nos reencontramos ele aproximou a cabea de mim, e ali ficou; meus olhos se encheram de lgrimas, e lhe pedi desculpas por no ter explicado melhor o que acontecia) e e s esta gente pensa que vou dar um filho meu a eles, para que ele tenha que viver isto aqui, est?o redondamente enganados e (uma e gua de hipismo da qual o proprietrio queria coletar embri?es ela seguia treinando e competindo no clube, enquanto o veterinrio vinha fazer os tratamentos hormonais, as inseminaes e as coletas aps quatro ou cinco coletas, ainda nenhum embri?o havia sido obtido) e e por que elas est?o ali eu aqui? quando vou ter os meus potros? quando vou v?-los? quero ir para o outro lado! e (outra e gua top de esporte, doadora, trabalhando na central de treinamento anexa ao haras seus olhos eram alheios a mim e ao resto do mundo, mas seguia fascinada pelas pequenas e guas receptoras com seus potros do outro lado da cerca um dia alguns ces ameaaram um dos potros, a centenas de metros de ns, e a e gua, que eu montava, comeou a relinchar sem parar e (escoiceando e corcoveando - ) e at que enfim algum toma uma atitude por aqui!! j no era sem tempo! e (a e gua mais madura do lote, sempre calma e imperturbvel, uma dama numa tarde chuvosa, rodava sem entusiasmo na guia, no redondel coberto, aquele trotinho devagar quase parando e l pelas tantas, uma e gua jovem saiu a passo do pavilh?o, livre sozinha, arrastando seu cabo de cabresto era uma destas mestras da arte de escapar no mesmo instante, minha e gua comeou a corcovear , bufar e galopar com entusiasmo e s faltava bater palmas)
(este veio de maneira diferente, imagem de uma criana humana) e um menino pequeno, muito inteligente, que idolatra o pai e quer fazer tudo para agrad-lo o pai se orgulha do filho e de seu evidente potencial, e lhe pede exerccios e tarefas dirios no comeo, o menino acha tudo fcil, e quanto mais ele se esfora, mais o pai pede ele se esfora mais e mais, e o pai elogia, mas comea achar aquilo normal e que o garoto, apesar de estar t?o adiantado em relao a outros de sua idade, no est fazendo mais do que sua obrigao o menino comea a ficar tenso, ressentido, assustado, porque a expectativa nunca tem um fim o que era fcil e natural fica angustiante complicado o pai exige mais, o garoto se apavora mais ambos est?o infelizes, porque se amam mas no sabem como consertar o que est errado o garoto se sente culpado, sem saber do que um cavalo ainda jovem, o preferido de seu dono, que comeou promissor e cuja evoluo estacionou a certa altura tenso no trabalho, e s vezes a ponto de no conseguir galopar sem disparar refuga alguns saltos que parecem fceis rola os olhos, apavorado, para qualquer objeto desconhecido beira do caminho quando pessoas se aproximam, fica na cocheira com a cabea escondida no canto e e sinto-me bem, sinto-me bem, sinto-me t?o bem e
(flanel, em 1995 foi a primeira vez em que o vi dar voltas e voltas a galope no piquete logo depois de solto, pela manh? at ent?o, tudo que ele fazia, vindo de meses de vida incerta, meio passando fome, era baixar a cabea e pastar sem parar) e e sua vontade a minha vontade; minhas pernas so as suas pernas e (uma e gua de salto que tive o privilgio de montar por alguns meses; um dos cavalos mais espetaculares que conheci)

Claudia Leschonski Veterinria de Cavalos Blog http://leschonski.blog.terra.com.br/

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