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Pododermatite em cães e gatos


A pododermatite em cães e gatos é a inflamação da pele das patas. É mais comum em cães do que em gatos. A pododermatite causa desconforto e dor, levando o animal a lamber a pata ou até a mancar. No entanto, o diagnóstico da pododermatite não é simples – existem várias doenças que podem causar inflamação nas patas.


 


Sinais da pododermatite canina e felina


Quando ocorre pododermatite em cães e gatos, pode observar-se na pata:


  • Avermelhado (eritema) e inchaço (edema, inflamação);
  • Dor e comichão (prurido);
  • Perda de pelo (alopecia);
  • Patas húmidas e manchadas (acastanhadas) por lambedura;
  • Nódulos e placas inchadas;
  • Secreções com sangue, pús ou crosta;
  • Bolhas, fistulas, úlceras;
  • Inflamação à volta da unha (paroníquia);
  • Engrossamento da pele (hiperqueratose) nas almofadas plantares;
  • Inchaço dos linfonodos;

 


Causas da pododermatite em cães e gatos


A pododermatite canina e felina tem multiplas causas. Por vezes, estas causas também interagem tornando-se uma patologia multifatorial. Portanto, torna-se essencial ao tratamento e à prevenção saber identificar as causas da pododermatite em cães e gatos.


Infeções por leveduras, bactérias e protozoários


As patas dos cães e gatos estão expostas a infeções. Principalmente nos cães, é comum aparecerem infeção da pata quando há pregas de pelo que mantêm a humidade da pele facilitando o crescimento microbiano. Estas infeções incluem leveduras (Malassezia; Cryptococcus), bactérias (Staphylococcus) e até poderão ser uma expressão de doenças de protozoários (Leishmaniose).


Infestações por parasitas


Pelo mesmo motivo que as infeções, as patas estão expostas a infestações por parasitas. No cão poderá aparecer a sarna demodécica, pelo parasita Demodex. O Demodex é um habitante natural da pele e dos folículos do pelo. Quando há uma quebra na imunidade multiplica-se e causa lesões na pele, como falta de pelo (alopécia), incluindo nas patas. O Demodex não é contagioso e é tratado por desparasitantes externos, podendo levar algum tempo a ser eliminado.


Nos gatos, também poderá aparecer o Demodex, mas é mais comum sofrerem de sarna notoédrica. A sarna notoédrica é causada pelo Notoedres cati e apresenta-se com o crosta, pele enrugada e prurido intenso principalmente na cabeça e pescoço. É altamente contagiosa e também poderá afetar as patas. O tratamento também é feito com desparasitantes externos.


Pododermatite alérgica


A pododermatite poderá resultar de uma reação alérgica. Aqui inclui-se a dermatite atópica, onde o animal é sensível a uma substância do ambiente (ex. pólen); a hipersensibilidade alimentar onde a alergia é a um dos componentes da alimentação (ex. carne); a dermatite alérgica à picada de pulga onde a reação ocorre por contacto com a saliva da pulga, ou a dermatite de contacto por contacto com certos objetos. Normalmente as alergias são tratadas evitando o contacto com o alergénio ou administrando anti-histamínicos e corticosteroides.


Pododermatite imunomediada


A pododermatite pode resultar de patologias que afetam o sistema imune. É o caso do Lupus eritematosos, Penfigo foliácio entre outras.


Pododermatite hormonal


A maioria dos distúrbios hormonais resultam em sinais dermatológicos, podendo afectar as patas. Isto é o caso do hipotiroidismo, hipertiroidismo, hiperadrenocorticismo (Cushing) e diabetes mellitus.


Cancro


Vários tipos de cancro podem afetar as patas dos cães e gatos. O cancro nas patas é mais frequente em gatos do que em cães. Estes tipos de cancro incluem carcinomas de células escamosas, papilomas, epiteliomas e metástases de outros cancros.


Causas ambientais


Existem várias causas físicas e químicas com origem ambiental que podem afetar a saúde das patas em cães e gatos. Por exemplo, traumas e corpos estranhos (pedras, espinhos, praganas) causam lesões nas patas.


Corridas em chão de cimento ou de cascalho podem magoar as almofadas plantares, principalmente nos cães. Exercício excessivo pode predispor as patas à inflamação. Nos cães, o aparelho de tosquia pode “queimar” as patas.


Ainda pode ocorrer por dermatite de contacto irritativa por contacto com uma substância irritante. Ou por toxicidade do tálio, um metal pesado.


Granuloma interdigital em cães


Uma massa localizada entre os dedos sem origem infeciosa pode aparecer nos cães. Denomina-se granuloma interdigital estéril.


 


Fatores de risco da pododermatite canina e felina


O aparecimento da pododermatite depende muito do estilo de vida e tratamento dado pelo dono. Por exemplo, cuidados com as patas e limpeza das pregas de pele (principalmente em cães braquicefálicos) pode reduzir a probabilidade de aparecimento da pododermatite.


Outros fatores como excesso de exercício, chão húmido e abrasivo e falta de prevenção aumentam a probabilidade de aparecimento ou agravam a pododermatite.


Ainda existem raças mais predispostas a sofrerem de pododermatite canina: Bulldog Inglês, Grand Danois, Basset Hound, Mastiff, Bull terrier, Boxer, Dachshunds, Dalmatas, Pastor Alemão, Labrador e Golden Retriever. Já a pododermatite felina não há predileção por raças.


 


Tratamento da pododermatite canina e felina


O tratamento da pododermatite faz-se em casa, com a exceção dos casos que requerem cirurgia. A cirurgia poderá ser necessária no caso das biópsias para diagnóstico, remoção de tecido cancerígeno ou remoção de tecido infetado.


O tratamento faz-se por administração de medicamentos, banhos de pés, aplicação de calor, ou colocação de ligaduras na pata. A medicação dependerá da causa da pododermatite. Pode incluir antibióticos, antifúngicos, esteroides e hormonas.


Poderá ser necessário restringir o exercício em lesões mais severas. Quando causada por causas ambientais ou alérgicas, é importante investir na prevenção.


O prognóstico depende da identificação da causa da pododermatite. Sem a identificação, a pododermatite poderá ser recorrente, o que aumenta os custos com o tratamento. Muitas das doenças (ex. doenças hormonais como a diabetes) poderão apenas ser controladas e não curadas.



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