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Ararinha-azul

 ararinhaazul
Como ler uma caixa taxonómicaararinha-azul
ararinha-azul (cyanopsitta spixii)
ararinha-azul (cyanopsitta spixii)
estado de conservação
status iucn31 ew ptsvg
extinta na natureza [1]
classificação científica
reino: animalia
filo: chordata
classe: aves
ordem: psittaciformes
família: psittacidae
género: cyanopsitta
bonaparte, 1854
espécie: c spixii
nome binomial
cyanopsitta spixii
(wagler, 1832)
wikispecies
a wikispecies tem informações sobre: ararinha-azul
a ararinha-azul (nome científico: cyanopsitta spixii, do grego: cyano, "azul" + psitta, "papagaio"; e spixii, em homenagem a johann baptist von spix) é uma espécie de ave da família psittacidae endêmica do brasil é a única espécie descrita para o gênero cyanopsitta outros vernáculos associados a esta espécie são arara-azul-de-spix, arara-do-nordeste e arara-celeste habitava matas de galeria dominadas por caraibeiras associadas a riachos sazonais no extremo norte do estado da bahia, ao sul do rio são francisco todos os registros históricos para a espécie estão localizados nos municípios de juazeiro e curaçá na bahia, com apenas relatos da presença da ave no estado de pernambuco
a arara mede cerca de 57 centímetros de comprimento e possui uma plumagem azul, variando em tons pálidos e vividos ao longo do corpo pouco se conhece sobre sua ecologia e comportamento na natureza sua dieta consiste principalmente de sementes de pinhão-bravo e faveleira e a nidificação é feita em caraibeiras, em ocos naturais ou feito por pica-paus o período de reprodução estava associado a época das chuvas
em decorrência de corte indiscriminado de árvores da caatinga, aonde restam apenas árvores mais jovens, não tão desenvolvidas e altas, e do tráfico ilegal, a população se reduziu até restar um único indivíduo que desapareceu em 2000/2001 está seriamente ameaçada de extinção, tendo somente 73 exemplares em cativeiro
índice
[esconder]
1 nomenclatura e taxonomia
2 distribuição e habitat
3 características
4 ecologia e comportamento
5 conservação
51 cativeiro
6 aspectos culturais
7 referências
8 ligações externas
nomenclatura e taxonomia
relações filogenéticas do gênero cyanopsitta


cyanopsitta



orthopsittaca



primolius


ara


cladograma inferido das sequências de dna mitocondrial e nuclear proveniente de tavares et al, 2006
a primeira descrição da espécie foi feita por johann baptist von spix em 1824 com o nome de arara hyacinthinus[2] no entanto, o epíteto específico estava pré-ocupado pelo psittacus hyacinthinus descrito por john latham em 1870[3] johann georg wagler, que foi assistente de von spix na publicação do livro de 1824, substituiu o nome científico da espécie para sittace spixii em 1832[4] em 1854, charles lucien bonaparte descreve um novo gênero para a espécie, o cyanopsitta, e recombina o nome científico para cyanopsitta spixii[5]
ocasionalmente, a espécie foi inserida no gênero ara[6][7] helmut sick (1997) não considerava a cyanopsitta spixii como uma arara, devido a um maior relacionamento com as jandaias[8] no entanto, análises moleculares demonstraram que o gênero cyanopsitta está relacionado com os gêneros primolius, ara e orthopsittaca e constitui um gênero distinto dos demais[9]
distribuição e habitat
a espécie ocorria principalmente na margem sul do rio são francisco em matas de galerias dominadas por caraibeiras (tabebuia aurea) a área de registro histórico está situada na região do submédio são francisco no noroeste da bahia entre as cidades de juazeiro e abaré[10] os únicos registros confirmados estão nas proximidades da cidade de juazeiro, onde o holótipo foi coletado em abril de 1819 por von spix durante a expedição austríaca ao brasil, e na área do riacho barra grande-melância no município de curaçá, onde alguns indivíduos foram redescobertos em 1985-1986 e posteriormente em 1990[10][11] um registro não confirmado indicou também a presença da ave no riacho da vargem situado nos municípios de abaré e chorrochó[11][12] o único registro, baseado em informação local, ao norte do rio são francisco no estado de pernambuco, é proveniente do riacho da brígida localizado nos municípios de orocó e parnamirim[10][12]
alguns autores consideravam a distribuição da ararinha-azul associada com os buritizais, indicando uma área de distribuição no sul do piauí, extremo sul do maranhão, noroeste de goiás (hoje tocantins), noroeste da bahia e extremo sudoeste de pernambuco[13][14][15] foi somente na década de 80 com a redescoberta da arara que observou-se que o habitat preferencial da ave estava associado com a caraibeira, que está restrita a margens e várzeas de riachos estacionais existentes na caatinga, especialmente no submédio são francisco[11][12]
características
gravura de 1878
a ararinha-azul mede de 55-60 centímetros de comprimento, possui uma envergadura de 1,20 metros e pode pesar de 286 a 410 gramas[16] a plumagem possui vários tons de azul o ventre tem um tom pálido a esverdeado enquanto o dorso, asas e cauda tons mais vividos as extremidades das asas e cauda são negras a fronte, bochechas e região do ouvido são azul-acinzentados[17] o loro e o anel perioftálmico são nus e a pele é de coloração cinza-escura nos adultos[17] a cauda é proporcionalmente mais longa e as asas mais longas e estreitas que as demais araras[8] o bico é inteiramente negro e os pés marrom-escuro a negro a íris é amarela
o juvenil se diferencia do adulto por apresentar a cauda mais curta, a íris cinza, a faixa nua na face mais clara e uma faixa branca na frente do cúlmen do bico[18][17] essas diferenças desaparecem quando a ave atinge a maturidade sexual apresenta dimorfismo sexual, sendo as fêmeas menores que os machos, quanto a plumagem não há diferenças[17][18]
ecologia e comportamento
semente da faveleira
informações sobre a ecologia e comportamento da ararinha são limitados, já que as pesquisas só começaram na década de 80, quando somente três indivíduos restavam na natureza[19] a alimentação era composta principalmente de sementes de pinhão-bravo (jatropha mollissima) e faveleira (cnidoscolus quercifolius) que representavam cerca de 81% da dieta[12] outros fontes alimentares incluíam as vagens da tabebuia aurea e da baraúna (schinopsis brasiliensis), e os frutos do joazeiro (zizyphus joazeiro) a estação reprodutiva estava relacionada com a época das chuvas, ocorrendo de outubro a março a espécie era dependente de árvores da espécie tabebuia aurea onde nidificavam[12] o ninho era feito em ocos naturais ou feitos por pica-paus (campephilus melanoleucos) e normalmente de dois a três ovos eram postos relatos feitos na observação do último exemplar na natureza, revelou que a espécie pernoitava em facheiros (pilosocereus spp), possivelmente para proteção[12]
conservação
a ararinha-azul é classificada pela união internacional para a conservação da natureza e dos recursos naturais (iucn) como "em perigo crítico" (possivelmente extinta na natureza)[1], na convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora silvestres ameaçadas de extinção (cites) aparece no "appendix i"[20] e pelo ministério do meio ambiente como extinta na natureza desde 2002[21]
o declínio populacional da espécie está associado com a perda do habitat, competição com abelhas africanizadas por ninhos, caça e tráfico de filhotes[22] durante as últimas décadas, o tráfico ilegal foi possivelmente a principal causa da extinção da espécie na natureza[23]
o maior responsável pelo desaparecimento desta ave é o homem devido ao intenso tráfico os compradores são atraídos pela sua bela cor azul e principalmente pela ganância de possuir uma espécie tão rara um exemplar da ararinha-azul chega a custar no mercado negro milhares de dólares
atualmente existem apenas 87 exemplares da ararinha-azul no mundo, o que a torna uma das mais raras espécies vivas destes, apenas oito podem ser encontrados no brasil, sendo que dois estão no zoológico de são paulo apesar de serem um casal, as ararinhas-azuis do zoológico de são paulo nunca tiveram filhotes
cativeiro

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