Digite aqui a palavra-chave.






Redes Sociais


Instagram

Home Page > Dicas Veterinárias > Harpejamento




Harpejamento


INTRODUÇÃO


O harpejamento é uma síndrome de eqüinos caracterizada por andar anormal com flexão exagerada e involuntária de um ou ambos os membros pélvicos durante a movimentação (Pemberton & Caple 1980). Duas formas são relatadas, o harpejamento convencional e o harpejamento australiano, que diferem entre si principalmente nos aspectos epidemiológicos. O harpejamento convencional tem ocorrência esporádica e etiologia desconhecida; nessa forma, os eqüinos afetados não se recuperam sem intervenção cirúrgica (Cahill & Goulden 1992, Stashak 1994). O harpejamento australiano ocorre em surtos que atingem vários eqüinos de uma mesma propriedade ou região; embora ocorra principalmente na Austrália (Pemberton 1979, Pemberton & Caple 1980, Robertson-Smith et al. 1985, Huntington et al. 1989, Slocombe et al. 1992), surtos dessa forma já foram descritos na Nova Zelândia (Cahill et al. 1985), no Chile (Araya et al. 1998) e nos Estados Unidos (Galey et al. 1991, Gay et al. 1993, Gardner et al. 2005). Os surtos geralmente iniciam no fim do verão e começo do outono, nos anos com longos períodos de seca e em eqüinos que tenham sido colocados em pastagens de má qualidade. A etiologia nesses casos ainda é obscura, porém, em muitos surtos foi observada uma relação com a presença abundante de uma planta (Hypochaeris radicata) na pastagem (Pemberton 1979, Cahill et al. 1985, Huntington et al. 1989, Gardner et al. 2005). Em geral, os casos da forma australiana apresentam recuperação espontânea após vários meses (Pemberton & Caple 1980, Galey et al. 1991). No presente trabalho são descritos surtos de harpejamento em eqüinos no Rio Grande do Sul que ocorreram no período entre 2000 e 2005. Os dados epidemiológicos, clínicos e aspectos patológicos são apresentados.


 


MATERIAL E MÉTODOS


Os dados dos eqüinos com harpejamento foram obtidos por meio de entrevistas realizadas com proprietários e veterinários de cada propriedade, por visitas às propriedades e avaliação clínica dos eqüinos afetados. A intensidade do harpejamento foi graduada de 1-5 (sendo 1 o grau mais leve e 5 o mais acentuado) de acordo com parâmetros descritos para o harpejamento australiano (Huntington et al. 1989). Dois eqüinos que apresentavam um grau avançado da doença foram submetidos à eutanásia e necropsiados. Na necropsia desses eqüinos foram colhidos fragmentos de tecido de vários órgãos, que foram fixados em formol tamponado a 10% e processados rotineiramente para histologia. Fragmentos dos nervos periféricos foram fixados em glutaraldeído e processados para microscopia eletrônica.


 


RESULTADOS


Os casos de harpejamento ocorreram em 10 eqüinos de oito propriedades rurais de seis municípios do Rio Grande do Sul durante o inverno e a primavera de 2000-2005 (Quadro 1). O número de eqüinos afetados por propriedade variou de 1-2 e a idade dos animais era de 1-13 anos (média de 6,2 anos). Em seis propriedades foi possível colher informações tanto sobre o número de eqüinos afetados (n=8) como o total de população eqüina sob risco nessas seis propriedades (n=46), o que indica um coeficiente geral de morbidade de 17,3%. Todos os casos ocorreram após períodos de seca. Em seis propriedades onde esse parâmetro foi avaliado a pastagem era de má qualidade. A planta H. radicata, apontada como causa do harpejamento (Huntington et al. 1989, Galey et al. 1991, Gardner et al. 2005), foi observada em grande quantidade em duas das cinco propriedades onde foi investigada, em pouca quantidade em uma propriedade e não foi encontrada nas outras duas. Em três propriedades, 50% dos eqüinos que tiveram acesso a H. radicata adoeceram. Dos 10 eqüinos afetados, sete eram da raça Crioula, um da raça Puro Sangue de Corrida e dois eram mistos; oito eqüinos eram fêmeas e dois eram machos. Os graus de intensidade clínica do harpejamento desses 10 eqüinos está no Quadro 1. Três eqüinos apresentaram Grau 1 de intensidade da manifestação clínica de harpejamento; esses eqüinos mostravam hiperflexão dos membros pélvicos apenas quando andavam em círculos, para trás ou quando eram estressados. Um eqüino classificado como Grau 2 apresentava movimentos esporádicos de harpejamento quando movimentado ao passo ou ao trote. O Grau 3, observado em três eqüinos, caracterizava-se por hiperflexão moderada dos membros pélvicos, que ocorria ao passo, ao trote e, especialmente, ao salto. O Grau 4 foi observado em um eqüino que apresentava hiperflexão acentuada dos membros pélvicos (que tocavam o abdômen) com o eqüino em estação, andando ou correndo. O Grau 5 de harpejamento foi observado em dois eqüinos e caracterizava-se por hiperflexão dos membros pélvicos (Fig.1) por vários segundos, difícil movimentação e saltos semelhante aos de coelho com os dois membros pélvicos. Além desses sinais, os eqüinos afetados não conseguiam andar para trás ou em círculos. Três eqüinos foram tratados com fenitoína na dose de 15mg/kg durante 20-60 dias. Em um desses eqüinos foi realizada miotenectomia do nervo extensor digital lateral. Em nenhum dos casos observou-se melhora do quadro clínico após o tratamento.



 



 


Dos 10 eqüinos avaliados, quatro (Eqüinos 4, 7, 9 e 11) se recuperaram totalmente após evolução clínica de 2-4 meses, mesmo sem tratamento. Desses quatro, três tinham Grau 1 de harpejamento e um tinha Grau 2. Quatro eqüinos (Eqüinos 3, 5, 6 e 8) não se recuperaram e apresentavam sinais da doença na última vez que foram examinados, 9-17 meses após o início dos sinais clínicos. Os Eqüinos 1 e 2 foram submetidos à eutanásia e necropsiados com três meses de evolução do quadro de harpejamento. Ambos tinham atrofia acentuada dos músculos dos membros pélvicos e da garupa. Um desses eqüinos apresentava fraturas nas costelas. Histologicamente observou-se que os músculos semitendináceo (Fig.2), quadríceps femoral, bíceps femoral, glúteo superficial, glúteo médio e sacrocaudal dorsal médio do Eqüino 2 apresentavam degeneração e necrose muscular leve a moderada; no músculo quadríceps femoral a atrofia era acentuada.



 



 


Cortes semifinos corados com azul de toluidina dos nervos laríngeo recorrente e tibial distal do Eqüino 1 demonstraram uma redução no número de fibras mielinizadas (Fig.3) e diminuição do número de fibras. Ultra-estruturalmente observaram-se regeneração e remielinização nos nervos periféricos (Fig.4); alguns axônios, contudo, ainda não possuiam bainha. Numerosos processos das células de Schwann envolviam axônios e neuritos de pequeno diâmetro (Fig.5). Restos de mielina podiam ser encontrados no citoplasma das células de Schwann. No endoneuro havia colágeno em abundância (Fig.6). Não foram observadas alterações nos demais nervos coletados.



 



 



 



 



 



 



 




http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100 736X2008000100004

O conteúdo presente no texto acima é responsabilidade dos Autores citados

Gostou do conteúdo animal acima! Então compartilhe em suas Redes Sociais:



Deixe seu comentários :






Profissionais Colunistas


bullet  Américo F. Pelicioni, CRF: 29.670

bullet  drajulianabortoletto@hotmail.com http://www.desviralata.com/plantastoxicas/

bullet  Dra Renata Avancini Médica veterinária, formada pela Universidade de Santo Amaro em 2007. Mestre e Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP), em 2009 e 2012 respectivamente. Graduada em 2014 no Curso de Especialização em Produção e Sanidade de Animais de Biotério pela FMVZ USP. Experiência em clínica geral, medicina regenerativa, biotecnologia com concentração em células tronco e experiência em docência na disciplina de Anatomia dos Animais Domésticos. Professora de Anatomia Veterinária da Faculdade das Metropolitanas Unidas (FMU) e na Universidade Paulista (UNIP). Médica veterinária na CURAVET. Contato: contato@curavet.com.br

bullet  Regina Incane Ito Médica Veterinária CRMVSP 4612 Paiquerê Pet Center Rua Eraldo Aurélio Franzese, 88 Paiquerê Valinhos SP FONE: (19) 38697743

bullet  Pet Care Hospital Veterinário de São Paulo (11) 3740 2152 (11) 3743 2142 Av. Giovanni Gronchi, 3001 São Paulo SP

Confira todos os Colunistas

Sugestão de nomes para filhotes:



bullet  Isaura bullet  Sofiabullet  Jóiabullet  Buffybullet  Zapato
Confira todas as sugestões de nomes



Perguntas mais frequentes


bullet  Eu não encontrei material sobre meu pet ?

bullet  Quantas pessoas acessam o conteudoanimal.com.br, diariamente, mensalmente, anualmente ?

bullet  Eu posso hospedar meu site no portal Conteudo Animal ?

bullet  As informações no ConteudoAnimal.com.br substituiem consulta veterinária?

bullet  Quais as formar de anunciar no Conteudo Animal?

Ver todas perguntas mais frequentes

Dicas Veterinárias:


bullet  Cavalos com dentes de lobo

bullet  A hora certa de realizar os exames de rotina em seu pet

bullet  Cachorrinha implica com a vassoura

bullet  A perda de peso e doenças crônicas em cães

bullet  Princípios de equitação

Ver todas as Dicas Veterinárias

Letras de Música:


bullet  Tchuco no tchaco

bullet  Lobo mau

bullet  O gato vinicius de moraes

bullet  dia de cão

bullet  Águas de março

Ver todas as Músicas

Cinema, Filmes e Seriados:


bullet  O pássaro azul the blue bird

bullet  Soltando os cachorros (the shaggy dog)

bullet  Quigley - um cachorro pra lá de humano (quigley)

bullet  Os pássaros feridos (the thorn birds)

bullet  O cavalo amarelo (marple: the pale horse)

Ver todos os filmes e seriados

Livros Animais

bullet  O gato e a revolução

bullet  Urologia e nefrologia do cão e do gato

bullet  Sinopse do livro 97 maneiras de fazer seu cachorro sorrir

bullet  Vida de cão

bullet  Crianca, cachorro que fala!

Ver todos os Livros

Declaração Universal dos Direitos dos Animais



Curiosidades do dia a dia :

bullet  jacaré --> Aparelho, nas farmácias, se abertam rolhas tipo de Colher de Pedreiro peça fixa para desvio de trilhos ferroviários Terminal elétrico para ligações de fios de forma rápida e não permantes tipo de candeeiro de Querosene

bullet  Cão Maior e Cão Menor --> Constelações Austrais

bullet  Cavalo --> Aparelho de ginástica olímpica masculina (de pau) derrapagem com carro (Remada Cavalinho) Aparelho de musculação (rabo de) Modo de prender o cabelo Ramo ou tronco de onde se faz enxerto (de batalha) Complicação (vapor) - medida de potência (cv ou hp) (de tróia) - armadilha (abrir o) Mandar alguem retirar o que disse Peça de xadrez

bullet  Pato --> (pé de) instrumento de natação para natação e mergulho

bullet  Cachorro Quente --> Tipo de Sanduíche

Confira todas as curiosidade do cotidiano



Encurtador de URL:

URL:

Digite aqui a palavra-chave


© Desde 2000 na Web - CONTEÚDOANIMAL.com.br & - Todos os direitos reservados - Créditos