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Rabdomialise de esforço


A rabdomiólise de esforço (RE) também conhecida como Mal da Segunda-Feira, mioglobinúria paralítica, azotúria, miosite associada ao exercício, entre outros nomes, é uma enfermidade complexa, visto que os sintomas clínicos associados às miopatias de esforço podem variar consideravelmente, tornando o diagnóstico mais difícil. O distúrbio acomete animais de qualquer raça, idade e sexo, porém, com mais frequência, em fêmeas vistas como ansiosas ou “nervosas”, sugerindo alguma influência endócrina na moléstia. Certas linhagens raciais sofrem com incidência maior da doença, indicando uma base genética da RE. Animais de um a quinze anos também são descritos como mais acometidos, provavelmente pelo nível de atividade física que esses exercem (STASHAK, 1994).


A enfermidade consiste basicamente de um processo de degeneração do tecido muscular esquelético decorrente do excesso de ácido láctico acumulado, produzido pelo metabolismo de “queima” do glicogênio durante a realização do exercício (THOMASSIAN, 2005) causando lesões nas células musculares, havendo liberação de substâncias na corrente sanguínea, como eletrólitos, mioglobinas e outras proteínas sarcoplasmáticas, notadamente a creatinoquinase (CK) entre outras.


O excesso de ácido láctico circulando na corrente sangüínea leva ao desequilíbrio ácido-base, responsável pela acidose metabólica que desencadeia aumento da freqüência cardíaca, respiratória e congestão das conjuntivas.


As fibras musculares do tipo II são predominantemente acometidas, são essas as fibras de contração rápida, que possuem capilaridade reduzida, baixa capacidade oxidativa e alta capacidade anaeróbia.


É provável que haja fatores que predisponham a rabdomiólise, podendo ser necessário um fator desencadeante, sendo mais comum a atividade física, para iniciar a sintomatologia clínica. Fatores predisponentes e desencadeantes podem ser diferentes para cada animal acometido. Os possíveis fatores predisponentes são a sobrecarga de carboidratos, hipóxia local, deficiência de tiamina, deficiência de Vitamina E e Selênio, distúrbios hormonais, etiologia viral, excitação e desequilíbrios eletrolíticos. Outros possíveis fatores desencadeantes além do exercício são condições ambientais, sexo, fatores genéticos, cortisol exógeno ou endógeno.


As rações fornecidas em geral contêm quantidade relativamente grande de potássio, porém o conteúdo de sódio é limitado. O consumo crônico destas rações poderá gerar alterações no equilíbrio dos líquidos e eletrólitos em alguns cavalos, o que pode torná-los mais susceptíveis à miopatia.


A enfermidade é observada em cavalos que estão em regime de treinamento, e que repousaram por um ou mais dias, apresentando aumento na incidência da miopatia quando retornados a rotina de exercícios e que costumam ter alimentação rica em carboidrato. Por esse motivo a doença costuma ser chamada como “mal da segunda-feira”, já que há casos onde o animal descansava nos finais de semana, recebendo alimentação de costume, e apresentava sinais quando retornava aos treinos na segunda-feira. O aumento na intensidade ou duração do treino aumenta a incidência de RE, assim como miopatia de exercício semelhante é observada em cavalos fora de forma que não foram condicionados para o grau de exercício exigido (STASHAK, 1994).


Observou-se rabdomiólise eqüina em animais suscetíveis que ficaram em repouso sem uma redução no consumo alimentar (REED & BAYLY, 2000).


Como relatado, a atividade muscular extenuante pode provocar necrose muscular e rabdomiólise, porém nem todo o exercício físico desencadeia lesão muscular.


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Figura 1: Jóquei exercita seu cavalo no Churchill Downs, no Kentucky (EUA).Fonte: Olho mágico


Os sinais clínicos mais comumente observados são: encurtamento do passo devido rigidez, animal apresenta “perna de pau”, sendo o quadríceps e glúteos os músculos mais afetados. Em casos mais graves o animal apresenta disfunção e cãibras musculares, resultando em relutância ou incapacidade de movimentação, podendo adotar posição de decúbito sem capacidade para levantar. Relatos mostram animais que apresentaram intensa sudorese, freqüência cardíaca e respiratória aumentada e temperatura corporal elevada. Os animais se mostram ansiosos devido dor intensa, que pode ser exacerbada na tentativa de fazer o animal se movimentar ou na palpação dos músculos. A literatura relata casos onde houve distúrbios gastrointestinais (cólica) e outras condições antes, durante ou depois de um ataque de rabdomiólise equina. A manifestação clínica pode ocorrer poucos minutos após o exercício.


Animais afetados com maior gravidade apresentam a clássica mioglobinúria, onde a urina apresenta-se avermelhada a preta, cor de “coca-cola”, dependendo do conteúdo da mioglobina liberada nas lesões das células musculares.


A seqüela mais grave da liberação de mioglobina pelos músculos são as lesões produzidas nas estruturas tubulares dos rins durante a filtração, causando nefrose que pode levar o animal à morte por insuficiência renal.


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Figura 2: Urina de animal com rabdomiólise. Da esquerda para a direita, coloração da urina em diferentes momentos desde a chegada até 24 horas após o atendimento. Fonte: Injúria Muscular Aguda em cavalo atleta: Relato de caso (SILVA;CAMPOS;BRAZIL, 2014)


O diagnóstico dessa enfermidade baseia-se na história clínica, acompanhado de um exame físico completo. Freqüentemente, são necessárias investigações laboratoriais para confirmar o diagnóstico provisório e controlar a recuperação. Os mais importantes são as atividades de enzimas musculares no soro e no plasma. Além disso, a análise de tecido de biópsia muscular e a urinálise podem ser úteis. Exames pós-morte podem confirmar o diagnóstico (Reed & Bayly, 2000).


Elevações de creatinoquinase (CK), aspartato aminotransferase (AST) e lactato desidrogenase (LDH) são comumente demonstradas em cavalos com rabdomiólise eqüina. O grau de elevação reflete a extensão da mionecrose, mas em casos clínicos comumente a CK se encontra na faixa dos milhares de unidades (SMITH, 1994).


Podem surgir problemas com o diagnóstico quando são encontradas atividades enzimáticas plasmáticas elevadas sem sintomatologia clínica ou sintomas sem atividades aumentadas. CK é liberado por fibras estriadas do músculo em degeneração aumentando rapidamente entre 4-6 horas após os danos do músculo. A atividade de CK declina também rapidamente se a necrose do músculo cessar, retornando aos valores normais dentro de 3-7 dias, dependendo da extensão original da necrose do músculo. Assim, a atividade elevada do CK indica a degeneração aguda do músculo, e a atividade persistente elevada do CK sobre o tempo indica rabdomiólise intermitente. Pode ser que os animais com atividades elevadas que retornam aos valores basais 24 horas após exercícios possam estar apresentando apenas uma variação normal na resposta fisiológica ao exercício.


A atividade de LDH e de AST não é específica para os danos do músculo, porque as elevações ocorrem também com necrose do fígado, ou seja, na ausência da doença de fígado, AST elevado é um indicador de necrose crônica do músculo.


É importante ressaltar o diagnóstico diferencial de Rabdomiólise Equina, que segundo Reed & Bayly (2000), são: antraz, cistite, enfermidade da medula espinhal (“bamboleios”), trombose ilíaca, linfadenite inguinal/poplítea, laminite, seqüelas de castração, cólica, nefrite, doença do músculo branco, pleurite, síndrome pós-exaustão, tétano, claudicação de membro proximal, envenenamento por monensina e bolota de carvalho, hérnia.





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