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Ozonioterapia no reparo de fraturas na medicina veterinária


O ozônio é um gás que na natureza é formado na camada externa da atmosfera terrestre através da modificação do oxigênio pelos raios ultravioleta. As chuvas com descargas elétricas e a poluição atmosférica também gera ozônio, aumentando sua participação percentual frente aos outros gases.


O gás ozônio não é somente a camada da estratosfera que nos protege. É um gás com infinitas aplicações, nos mais diversos campos de atividade humana. Ele forma uma camada protetora de ozônio que age como um filtro da energia ultravioleta (UV), altamente destrutiva, que vem do sol, ajudando a manter o equilíbrio biológico em nosso planeta (GATTI, 2016).


Além disso, ele pode interferir diretamente sobre nossa fisiologia, alterando nossa circulação sanguínea, nosso metabolismo.


O presente trabalho teve como finalidade, avaliar a eficácia da aplicação da ozonioterapia na forma de gás no reparo de fraturas, em cirúrgias ortopédicas  na medicina veterinária e na melhora da cicatrização pós cirúrgica, baseado em seu efeito anti-inflamatório, antisséptico e na melhoria da circulação periférica.


 


  1. Ozonioterapia

 


A ozonioterapia é o nome dado para o emprego de ozônio para o tratamento de algumas enfermidades, tais como dermatites, inflamações e infecções. Segundo a ABOZ ( Associação Brasileira de Ozonioterapia), o ozônio é um agente eficiente para tratar várias questões de saúde por ter suas propriedades “anti-inflamatórias, antissépticas, de modulação do estresse oxidativo, da melhora da circulação periférica e da oxigenação”.  


Essa terapêutica utiliza uma mistura de oxigênio-ozônio (O2-O3) mediante a passagem de oxigênio puro por uma descarga elétrica de alta voltagem e alta frequência. Após penetrar no organismo, o ozônio é capaz de melhorar a oxigenação e, consequentemente, o metabolismo corporal (ABOZ, 2016).


Por ser de fácil produção essa técnica se tornou economicamente viável e de fácil aplicação, a ozonioterapia tem seu uso  sendo difundido tanto na medicina humana como na medicina veterinária (HADDAD, 2009). Na medicina humana o ozônio é utilizado também no tratamento de feridas em fase de gangrena, bem como no tratamento do pé de pessoas diabéticas, com isso levando a diminuição de 25% dos custos do tratamento em comparação com o uso de antibióticos (MORETTE, 2011).


A ozonioterapia é reconhecida pelo Ministério da Saúde de diversos países pela Europa e é praticada em 13 estados dos Estados Unidos. Em Cuba, por exemplo, existem cerca de 40 Centros Clínicos de Ozonioterapia. Na Rússia, a ozonioterapia é utilizada em todos os hospitais governamentais. No Brasil, ainda não há legislação específica regulamentando a prática do tratamento (MACHADO, 2016).


 


1.2.  Ozonio Medicinal


 


Ozônio medicinal é o uso de ozônio como medicamento ativo, que leva esse nome quando é utilizado no tratamento das mais variadas doenças. O ozônio medicinal é sempre uma mistura de ozônio com oxigênio, em quantidades e concentrações que variam conforme a doença a ser tratada (Canal, 2016).


De acordo com a indicação e tipo de aplicação, a concentração de ozônio pode variar entre 1 e 100 mg/L (0,05-5%O3). O profissional habilitado determina a dose adequada e a via de aplicação de acordo com a indicação e as condições do paciente (GATTI, 2016).


O ozônio é um gás formado por três átomos de oxigênio, tende a se degradar rapidamente devido ao seu forte poder oxidativo. É incolor e apresenta odor característico de "terra molhada", na realidade por que a chuva libera ozônio na atmosfera.


Semelhante à água oxigenada, é um excelente desinfetante, com as vantagens de ser gasoso, apresentando altíssimo poder germicida e elevado poder de penetração, agindo inclusive como agente esterilizador.


O ozônio é uma molécula composta por três átomos de oxigênio (O₃) que se forma quando as moléculas de oxigênio (O₂) se rompem devido á radiação ultravioleta ou descarga elétrica e, os átomos separados combinam-se individualmente com outras moléculas de oxigênio. O ozônio é um gás com cheiro característico, de cor azulada, extremamente instável, além de muito reativo (ATUATI, 2011).


O ozônio medicinal é sintetizado por geradores medicinais específicos a partir do oxigênio puro (para evitar a presença de subprodutos tóxicos de outros gases), em concentrações de no máximo de 5% de ozônio em oxigênio ou doses que variam de 1-100 mcg/ml de ozônio, concentrações estas, bem inferiores às utilizadas para fins industriais (ATUATI, 2011).


 O ozônio é 1,6 vezes mais denso e 10 vezes mais solúvel em água que o oxigênio. Em função da molécula triatômica ser muito instável e reativa, o ozônio não pode ser armazenado, devendo ser utilizado imediatamente a partir da geração.


A utilização do ozônio medicinal é denominada de terapia oxidativa, pois gera um estresse oxidativo, resultando na produção do efeito antioxidante pelo organismo, visando à melhora do paciente (OLIVEIRA, 2008).


Esse efeito antioxidante funciona da forma que ao encontrar com um tecido biologicamente ativo o ozônio reage com inúmeras biomoléculas que, agrupadas, formam um sistema de tamponamento. A maior parte dessas biomoléculas tem papel antiinflamatório e analgésico que agem de forma simultânea à ação antioxidante (BOCCI, 2005).


Até mesmo os microrganismos aeróbios, como os Micobacterium, que necessitam do O2 para se desenvolver, são prejudicados pelo excesso de oxigênio contidos no Ozônio. Isso ocorre também nos casos de tubérculos, onde percebemos que a tuberculose causa nódulos, onde o oxigênio tem dificuldade de penetrar. Se você aumentar a oximetria de um paciente tuberculoso com o ozônio, ele melhora, não agrava a doença.


Assim, podemos entender que, até para as infecções causadas por microrganismos aeróbios, os que precisam do O2 para crescer, o aumento da oxigenação tecidual atua positivamente, até como um agente anti-infeccioso (CENCIG, 2016).


 


1.3. Vias de aplicação


 


O ozônio pode ser administrado por via endovenosa, oral, uretral, intraarterial,  intramuscular, subcutânea, insuflação retal e vaginal, auto-hemoterapia menor, autohemoterapia maior, intraarticular, intraperitoneal, intrapleural, intradiscal, intraforaminal no caso dos dentistas, intralesional quando houver uma fistula ou abcesso, insuflação em “bags”, intramamária e através do uso tópico de água e/ou óleo ozonizados (BOCCI, 2005).


O gás ozônio é tóxico ao ser inalado, por isto ele é administrado por meio de injeções ou ainda em aplicações tópicas de óleo e água ozonizados. As indicações veterinárias são muitas, infecções (bacteriana, viral ou fúngica), problemas ortopédicos, imunológicos, artrite, artrose, dores crônicas, feridas (CENCING, 2014).


Na medicina veterinária a mais comum, é a insuflação via retal. Também pode ser aplicado por via intramuscular, autohemoterapia maior, autohemoterapia menor e também, lavagens com água ozonizada, óleo ozonizado para feridas e bolsa com ozônio para membros, patas, abdômen e etc. (TOLEDO, 2016).


 


 


 


1.3.1.  Veículo Óleo


   


O óleo deve ser acondicionado em frasco com tampa e agitado antes de cada uso. Os melhores óleos são o azeite de oliva e  o óleo de coco, mas o óleo que mais mantém as propriedades do O3 é o Óleo de Girassol. O uso deste óleo ozonizado é para as lesões de pele, para clientes que não tenham acesso a geradores de ozônio no cotidiano, o que lhes permite levar o óleo de ozônio para casa, e utilizá-los em feridas, como umectante, para as feridas, como substituto a água ozonizada. Estudos realizados em Cuba demonstram que o Ozônio, em veículo oleoso, pode se manter estável por mais de 6 meses. (CANAL, 2016).


 


 1.3.2.  Veículo Oxigênio


 


    Via retal ou intracecal são as vias mais comuns na medicina veterinária, aplicada com seringa e sonda. Tivemos inclusive relatos de eliminação de vermes após a aplicação do ozônio, creditamos ao seu efeito anti-nematóides (CANAL, 2016).


    Via intravesical urinária, aplicada via uretral com seringa e sonda urinária, além de ser um poderoso desinfectante (antisséptico), ainda aumenta a oxigenação tecidual de todo o sistema urinário, reduzindo significativamente as infecções (CANAL, 2016).


    Via intravaginal é principalmente indicada na profilaxia da infecção do puerpério, é aplicada com seringa e sonda. O gás ozônio tem elevada penetração, podendo atingir as câmaras mais profundas do útero dos animais, inclusive cadelas e gatas (CANAL, 2016).


    Banho tópico ou via dérmica superficial, aplicada com bolsa de gás, faz-se uma câmara de ozônio em contato com a pele. Uma das formas é colocar-se  a pata em um saco plástico e insufla-lo com ozônio, deixando “de molho” por 30 a 60 minutos (CANAL, 2016).


        Aplicada com água ionizada – ozoniza-se a água e lava-se o ferimento (semelhante ao colírio). A água ozonizada tem efeitos semelhantes aos da água oxigenada, mas sem o problema de ser nocivo as mucosas como a oxigenada (CANAL, 2016).


 


 


 


1.3.3. Via Oftálmica


 


Colírio (água ozonizada): a água borriçada ozonizada deve ser preparada a cada aplicação no momento de ser aplicada. Estamos fazendo testes do emprego do óleo ozonizado como colírio (CANAL, 2016).


        Óleo ozonizado – existem casos em que podemos ozonizar óleos especiais e aplica-lo como colírio, apresentando efeito surpreendente na redução das oftalmias, principalmente de afecções de córnea (CANAL, 2016).


 


1.3.4. Uso Injetável (Intramuscular ou subcutânea)


 


        A via intra lesional consiste em se tomar um volume conhecido de ozônio, cujo veículo é o oxigênio, em uma concentração conhecida, e aplicar-se subcutâneo ou intramuscular ao redor da lesão, aumentando a oxigenação tecidual local, favorecendo a cicatrização e reduzindo as condições de instalação de uma infecção (CANAL, 2016).


            Ferimentos contaminados, o O3 (ozônio) é um excelente desinfectante, com a característica de que pode ser injetável no paciente. As reações em feridas purulentas são surpreendentes.


            Pré e pós cirúrgico consiste em aplicar uma concentração e volumes conhecidos de ozônio (O3) em oxigênio (O2) na ferida cirúrgica, no pós cirúrgico imediato, insuflando o sub cutâneo/intramuscular e intra lesional. Também como forma de modificar as condições da “terra” ou seja, modificar o meio ambiente (terra) onde o microrganismo cresce para complicar o desenvolvimento destes microrganismos e melhorar a cicatrização. Nas 24 horas do Pré-cirúrgico, recomendamos uma aplicação intracecal de ozônio, para melhorar a imunidade e o estado biológico do paciente (CANAL, 2016).


 


1.3.5. Ortopedia Óssea


 


             Há indicação de uma aplicação de ozônio em todas as fraturas ósseas abertas ou fechadas.  A grande dificuldade da cicatrização óssea se dá por estabilização e anaerobiose. No quesito anaerobiose, a ozonioterapia auxiliará a obtenção de um excelente resultado (CANAL, 2016).


 


1.3.6. Autohemoterapia Ozonizada


 


 A auto-hemoterapia consiste em retirar-se volume conhecido de sangue do indivíduo, e aplicá-lo intramuscular, fazendo uma apresentação dos tecidos hemáticos, principalmente aos macrófagos, ativando a imunidade inespecífica. Este método é muito utilizado em viroses como em papilomatose. O ozônio pode ser associado em igual volume ao sangue retirado, fazendo-se uma ozônio-auto-hemoterapia, com evidentes melhorias nos resultados (BOCCI, 2005).


Dentre os possíveis efeitos biológicos provocados pela auto-hemoterapia ozonizada pode-se exemplificar a diminuição da fibrinogenemia e do colesterol no plasma, aumento da glicólise, do ATP, do 2-3 difosfoglicerato e da disponibilidade do oxigênio, com redução na taxa de sedimentação dos eritrócitos, manutenção da pressão arterial e queda da pressão venosa. Nas plaquetas pudesse observar aumento de fatores de crescimento como TGFβ e PDGF. Nos leucócitos pode-se observar aumento do PGE2. (SANCHES, 2008).


 


 1.3.7. Uso Endovenoso


 


              Colocar-se o paciente em na fluidoterapia e acrescer à bolsa de soro quantidade e concentração conhecida de ozônio no soro, quer seja ringer lactato ou glicofisiológico. Como o ozônio é muito hidrossolúvel, ele se dissolverá no soro, que será aplicada na veia do paciente. É igual a via grande auto hemoterapia, mas não fica manipulando o sangue, apenas trocamos o veículo, fazemos do soro o veículo para o ozônio (CANAL, 2016).


 


1.4. Utilização e Dosagens


 


Na literatura veterinária a ozonioterapia é descrita no tratamento favorável de lesões fúngicas em pele de tartaruga após uso tópico de água e óleo ozonizados (Garcia et al., 2007); na diminuição no número de aplicações de sulfato de vincristina no tratamento de tvt, em feridas padronizadas na pele de ratos, obtendo-se cicatrização mais rápida na concetração de 1ppm e contração mais uniforme quando a concentração após emprego de 4 ppm (Traina, 2008); no tratamento efetivo de mastite clínica após a utilização intramamária, verificando-se diminuição da dor local nos quartos afetados, assim como diminuição do estado febril (MORETTE, 2011).


O ozônio pode ser usado no ambulatório veterinário para tratamento das seguintes situações: conchectomia (lavagem prévia com ozônio e aplicação de óleo ozonizado na ferida cirúrgica); retorno de anestesia em 30 segundos (20 mL de ozônio em concentração de 20μg/mL via insuflação retal); traumatismos (óleo ozonizado para uso tópico e lavagem posterior com água ozonizada); distúrbios gastroentéricos não parasitários (ingestão de 20 a 50 mL de água ozonizada no 1ª dia e 2 a 3 mL/dia de óleo ozonizado); nas otites médias (aplicação de óleo ozonizado seguida de pequena auto-hemoterapia realizada com 2 a 3 mL de sangue ozonizado misturados a 5 mL de ozônio em concentração de 20μg/mL durante 3 a 4 dias). Observa-se diminuição da dor: como terapia coadjuvante em laminites (20.000 μg de ozônio em 1000 mL de sangue antes da anestesia e após cirurgia, repetindo 5 a 6 vezes); na paralisia pós-parto dos bovinos (30 mg de ozônio/1.500 mL de sangue); na metrite pós-parto (500 mL de água ozonizada seguida de aplicação local por 2 dias de 1 a 2 mL de óleo ozonizado) (GARCIA et all, 2007).


 


1.5. Efeito Esperado da ozonioterapia


 


            Sua utilização tem a função de aumentar a disponibilidade de oxigênio (O2) a todas as células do organismo, aumentando a respiração e o metabolismo celular como um todo, como consequência, ativa a respiração celular, aumentando também a biodisponibilidade energética, ativando a síntese de ATP (CENCIG, 2014).


            Reduz a rigidez dos glóbulos vermelhos, facilitando e estimulando a circulação do sangue, mesmo através de artérias já estreitadas ou embólicas (CENCIG, 2014).


Apresenta importante efeito antimicrobiano - bactericida, fungicida e de inativação viral. Como o ozônio aumenta a oxigenação ele atua no componente terra, ou seja, “estraga” o habitat dos microrganismos  para o crescimento destes, prejudicando a infecção (CENCIG, 2014).


            Também, ativa a imunidade, e, indiretamente,  estimula a produção natural de interferon, interleucina, e o fator de necrose tumoral, quando estas sínteses são exigidas (CENCIG, 2014).


            Por ser um imuno-modulador, apresenta efeito de limitação inflamatória, ou seja, atua como anti-inflamatório importante quando os processos da inflamação estão exacerbados. Devemos entender que o ozônio atua como imuno modulador, ativando se estiver deprimido e controlando se estiver exacerbado (CENCIG, 2014).


            Por suas propriedades intrínsicas, principalmente no processo cicatricial, é útil como coadjuvante no tratamento de várias dores crônicas (CENCIG, 2014).


            Segundo Haddad (2006) os animais não demostraram incômodo ou alteração de comportamento durante a ozonioterapia. Na maioria dos valores médios da concentração do hematócrito, concentrou-se acima dos limites médios do controle. Sendo isso mais evidente nas fêmeas. Esses resultados indicam também que os valores do hematócrito aumentam à medida que são realizadas as sessões de ozonioterapia, demostrando um efeito acumulativo e de dose dependente.


            O ozônio pode ser empregado em processos de esterilização de instrumentais e purificação do sistema de irrigação do equipo, servindo como uma ótima estratégia no controle e prevenção de infecções cruzadas no ambiente odontológico. Não obstante, o ozônio quando administrado em baixa concentração por via sistêmica induz a proliferação tecidual e neovascularização, sendo, portanto, um indutor cicatrizante, característica que o torna atrativo do ponto de vista clínico, pois permite tanto a eliminação de bactérias como o reparo das estruturas anatômicas (Oliveira AF & Mendes HJ, 2009).


Há relatos da sua aplicação em afecções locomotoras como na sinovite da bursa do osso navicular, na osteoartrite da articulação interfalangeana distal e na tendinopatia no local de inserção do tendão do músculo flexor digital profundo (PASTORIZA, 2002), bem como no tratamento de processos isquêmicos (ALVES, 2004).


De modo geral, o ozônio medicinal é aplicado paralelamente a outros medicamentos, podendo ser utilizado como terapia complementar.  É preciso que todos saibam que o ozônio medicinal, quando utilizado de maneira correta é indicado com segurança, é valioso, prático e eficaz. Por outro lado, como ocorre com qualquer tratamento ou procedimento médico, não há e nem pode haver garantia de sucesso terapêutico em 100% dos casos tratados (ABOZ, 2016).


 


 


 


 


 


1.6. Contraindicações da Ozonioterapia


 


Animais (cachorros, gatos e outros mascotes) com deficiência de Glicose-6-Fosfato-Desidrogenase (G6PD eritrocitária), hipertireoidismo, anemia e hipoglicemia não podem passar pela ozonioterapia (CENCIG, 2014).


            A inalação do gás ozônio (0,1 a 1 ppm) pode ser tóxica para o trato respiratório superior, causando irritação das via aéreas superiores, rinite, dores de cabeça e, ocasionalmente, náusea e vomito (MORETTE, 2011).


            Se inalarmos 0,1 ppmv (0,2 mg/m3) ocorrerá o lacrimejamento e irritação no trato respiratório superior, como rinite, tosse, cefaleia, náuseas e pessoas pré-dispostas podem desenvolver asma; De 2 a 5 ppmv (4 a 10 mg/m3) ocorrerá aumento progressivo de dispneia; Acima de 5 ppmv ( 10 mg/m3) edema agudo de pulmão e ocasionalmente paralisia respiratória; 10 ppmv ( 20 mg/m3) morte dentro de 4 horas e acima de 50 ppmv ( 100 mg/m3) morte em minutos (ABOZ, 2016).


A via subcutânea foi muito utilizada para fins estéticos com sucesso, porém a aplicação inadequada de grandes volumes do gás na Itália por centros de beleza, provocou a morte de duas mulheres (Março de 1998 e Dezembro 2002) pela formação de êmbolos pulmonares, sendo desde então, proibida a aplicação da ozonioterapia em centros cosméticos, além desta não ser mais bem vista para fins estéticos (OLIVEIRA, 2008).


 


  1. DESENVOLVIMENTO

 


Nesse trabalho optamos por realizar o ozonioterapia nos procedimentos pós cirúrgicos de reparo de fratura na forma de gás, utilizando o oxigênio como veiculo.


Optamos por ser uma terapia natural, com poucas contraindicações e efeitos secundários mínimos, quando indicada, realizada e/ou orientada corretamente, por profissional médico com formação adequada (MANDELIK, 2016).


A vida média do ozônio é de 40 minutos a 25 C. Após este tempo ele se decompõe em oxigênio, dependendo da temperatura ambiente (Haddad et. al., 2006). Então os produtos ozonizados devem ser produzidos imediatamente antes da sua utilização (Bulies et al., 1997). Em medicina veterinária, utilizam-se as concentrações de 6, 30 e 50 ug.mL (ALVES et al., 2004).


  1. Reparo da Fratura

 


É necessário oferecer um ambiente propício para que ocorra a consolidação de uma fratura. As extremidades ósseas fraturadas necessitam ser alinhadas e justapostas de forma a manterem contato de ao menos 50% por meio de implantes que permitem uma estabilização rígida do foco de fratura .Ainda, um bom aporte vascular é de fundamental importância para que seja possível a obtenção de consolidação óssea.


As fases pelas quais o processo de reparação e consolidação óssea são submetidas, independem do traço e da localização da fratura. Tendo em vista que todo procedimento cirúrgico ortopédico objetiva um rápido e pleno retorno a utilização do membro acidentado, terapias adjuvantes, tais como plasma rico em plaquetas (PRP), células tronco ( CT ) , bem como ozonioterapia, tem conquistado mais e mais espaço nos dias atuais.


Desta forma, podemos inferir que a ozonioterapia apresenta-se como uma eficaz ferramenta para o reparo e consolidações ósseas, essas terapias utiliza o ozônio - forma triatômica do oxigênio - como agente terapêutico no seu tratamento (Neto, 2013).


 


2.2 - Método e Protocolos Utilizados


 


Utilizamos uma maquina geradora de ozônio residencial que segundo o manual Kers, produz 500 mg/m3/hora, media de 3 ppmi por minuto (fig. 06). Deixamos os membros dos animais recém operado, ou com problemas de cicatrização em infusão em “ bags”, inflamos com o ar ozonizado e deixamos por 20 minutos. Após isso repetimos o tratamentos por 3 vezes tendo os intervalos de 7 dias entre uma sessão e outra.


 


2.3 – Casos Clínicos


 


Animal canino, 8 anos, srd, 30 kg, atende pelo no de Homer. Veio para consulta com fratura da tíbia e fíbula (fig. 07, 08), feito cirurgia reparatório com placa e parafusos bloqueados. Após 10 dias o animal voltou com as feridas vivas edemaciadas e com secreção (fig.09, 10). Entrado com aintiinflamatório (meloxicam a dose de 0,1 mg/kg/SID/ 5 dias – maxicam) e antibioticoterapia (Cloridrato de Clindamicina a doe de  5,0 mg/Kg/BID/10 dias – Oralguard).


 


             07 – Fratura Homer                    Fig 08 – Fratura Homer (tíbia e fíbula)


            


            Fig 09 – Pós-cirurgico 10 dias Homer                Fig 10 – Pós-cirúrgico 10 dias Homer


                  →  Cicatrização incompleta, com exsudato e sinais de inflamação. (Arquivo Pessoal)


Animal voltou com a radiografia pós cirúrgica de 30 dias, havia se soltado um parafuso e com osteomielite (fig.12). E com as feridas mais cicatrizadas, mas ainda não totalmente fechadas. Solicitado continuar com antibioticoterapia, por 10 dias totais. A ferida fechou quase por completo (fig 11). A pós isso o proprietário trouxe o animal para o retorno com 60 dias pós-cirúrgico, as feridas voltaram após o fim do aintibíotico, a pele voltou a inflamar e expulsou mais um parafuso (fig. 13,14).


 


Fig 11.  30 dias pós cirúrgico (Homer)                                                         Fig 12. 30 dias (Homer)


Ferida quase cicatrizada, fistula do parafuso. Parafuso sem expulso pelo                                                                                                                 organismo. Fratura ainda não consolidada mas com proliferação óssea. (Arquivo Pessoal)


 


Fig 13 – 60 dias (Homer)                        Fig. 14 – ferida voltou após o fim do Antibiótico. (Homer) 


→ Fratura ainda não calcificada mas ainda com proliferação óssea.(Arquivo pessoal)


Resolvemos então fazer a ozônioterapia como suporte para essa infecção na pele, e para melhorar a circulação local (fig 15,16). Deixamos infusão em “Bag”, inflamos com a membro dentro do “Bag” (saco plástico) com o ozônio, e após deixamos em repouso por 20 minutos. Repetimos esse procedimento a cada 7 dias, fizemos isso por 3 vezes.


 


Fig 15  - Inflando o saco com ozônio                                       Fig 16 – Saco inflado com ozônio


→  Homer realizando a ozonioterapia, com insuflação “in Bag.”  Arquivo Pessoal


 O animal demostrou uma rápida recuperação de pele, já na segunda aplicação, a pele já esta bem cicatrizada e as feridas mais secas.  A fratura começou a se consolidar na ultima radiografia com 90 dias.


 


  1. CONCLUSÃO

 


A ozonioterapia tem se mostrado eficiente no tratamento das feridas externas e de difícil cicatrização, em processos isquêmicos, alérgicos, auxiliando em novas ramificações vasculares e outros; apresenta atuação na desinfecção, no qual ainda há campo para ser estudado e esclarecido. Trata-se de uma terapia que tem promovido a atenção de pesquisadores em diversos países, por apresentar-se como alternativa de baixo custo e com bons resultados.


Existem muitas referências da ozonioterapia sendo utilizada na medicina e na odontologia, mas na medicina veterinária, ainda este é um campo em expansão, que ainda tem que ser mais estudado e pesquisado.


Por se tratar de uma terapia complementar, segundo relatos da literatura principalmente humana, tem auxiliado em muitos tratamentos evitando amputações, promovendo a cicatrização de feridas extensas, diminuindo a sensibilidade e proporcionando uma analgesia, isso proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes, divido à melhora da oxigenação tecidual, imunológica e propriedades antibacterianas e antifúngicas. Além do mais excelente método para o controle bacteriostático do ambiente cirúrgico.


Nos meus casos clínicos não tive nenhuma resposta, tanto positiva, tanto negativa. Acredito que seja uma excelente técnica para controlar os microrganismo no ambiente cirúrgico, e também muito eficiente para tratamentos que necessitem de uma resposta imunologia mais rápida. No caso das fraturas a onde a reposta do organismo pode durar desde 30 dias a até 90 dias, a ozonioterapia não vai ajudar, pelo menos, não nessa frequência de sessões.



Daniel Checchinato,(11) 45210959, Av pref. Jose de Castro Marcondes, 260 Vila Hortolandia, Jundiaí/SPl, www.veterinariachecchinato.com.br

O conteúdo presente no texto acima é responsabilidade dos Autores citados


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