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A importância da recompensa

A importância da recompensa

Quem trabalha com adestramento de cães, ou comportamento, como no meu caso, deve sempre ter que responder a mesma pergunta quando inicia um treinamento de obediência baseado em reforço positivo: quando eu posso parar de recompensar com comida o meu cachorro? Eu sempre ficava me perguntando o porquê dessa pergunta. Porque essa ânsia de que o cão execute o comando sem ganhar nada por isso? Acho que talvez seja culpa dos velhos métodos de adestramento, em que a comida ou brinquedos não eram usados como facilitadores do aprendizado. O que ocorria é que o castigo era usado no lugar da recompensa, ou seja, se o cão não obedecesse, apanhava. Também acho que é culpa dos filmes, como Lassie e Rintintin onde os donos pediam e os cães-atores obedeciam prontamente diante das câmeras, para que em seguida, uma vez gritado “corta”, ganhassem um bom petisco como prêmio do seu adestrador. Só que isso ninguém via. Já vi muitos casos durante as aulinhas de obediência que leciono, quando pergunto na primeira aula se o cão sabe sentar ou deitar, o proprietário normalmente responde que sabe, mas só faz de vez em quando, e quando quer. Acho que nesse caso o melhor é dizer: só faz quando vale a pena. Ensino ao cão que vale a pena sentar e deitar porque ele vai ganhar uma coisa muito gostosa e ensino o proprietário que para o resto da vida dele, dali pra frente SEMPRE o cão será recompensado ao realizar um comando. E garanto, o dono vai ser atendido todas as vezes. Vários proprietários voltam na segunda aula dizendo que o cão está fazendo tão bem o “senta” e o “deita” que ele nem precisa mais dar a recompensa. Como se isso fosse realmente um mérito e não uma crueldade com o animal. Ele recebeu um comando, obedeceu, o mínimo que podemos dizer a ele é OBRIGADO. E como ele não vai entender o sentido da palavra, dizemos obrigado com comida. O motivo pelo qual usamos comida para fazer com que os cães obedeçam prontamente é exatamente o mesmo pelo qual acordamos todo dia e vamos trabalhar: dinheiro. Na moeda canina, entretanto, medimos o quanto o serviço vale em alimentos. Então, pedir um senta, ser atendido e dar uma bolinha de ração seria o equivalente a 1 real. Existem cães que não trabalham por 1 real. Isso acontece porque muitas vezes sentaram na vida ao serem solicitados pelo dono e ganharam: zero, nada! Então, temos que aumentar a recompensa para que realmente valha a pena executar o comando. Tenho certeza que se pudéssemos ler a mente desses pobres indivíduos veríamos que eles titubeiam em sentar porque pensam “pra que sentar se eu não vou ganhar nada por isso! além do mais nada acontece se eu não sentar”. Nesses casos temos que aumentar o salário para 5 reais, digamos, dando um biscoito canino, um pedacinho de queijo ou uma fruta. Se toda vez que esse cão tido como “teimoso” sentar, dermos a ele uma boa recompensa, ele logo vai associar que sentar é realmente prazeroso, vale a pena. Assim durante um bom tempo, JAMAIS vamos pedir a esse cão um comando sem oferecer-lhe uma recompensa. O mesmo acontece em nossa vida, por mais que sejamos apaixonados pelo nosso trabalho, não vamos levantar as 6 da manhã se não formos pagos para isso. Por outro lado, também continuamos casados com nossos maridos e esposas em troca de carinho, compreensão e amor. Essa é a moeda na maioria dos casamentos, pelo menos. Todo mundo sabe que os cães aaamaaaaammmmm seus donos, não importa que tipo de proprietário este seja. Então podemos sim, começar recompensando com comida que é nossa moeda mais forte, e associarmos carinho e amor, além de palavras doces. Isso facilita o relacionamento entre cães e donos pois não conseguimos, ainda falar aos cães com palavras, mas podemos associar coisas prazerosas para dizermos a ele o que é esperado que façam. Assim, a maneira correta de adestrar um cão é conseguir que ele faça os comandos usando comida como engodo e facilitador, mas sempre associando carinho e palavras doces. Depois de alguns meses em que o cão esteja realizando os comandos prontamente, podemos alternar as vezes em que damos comida como recompensa, mas jamais deixar de dar a comida. Ou seja de cada 5 vezes que pedimos um comando, duas delas vamos dar carinho e as outras três vamos dar comida e carinho. Isso é um treinamento justo. Todos os proprietários de cães devem ser ensinados que os cães devem ser respeitados, e tratados de forma justa e o mínimo que podemos fazer por eles e dar de volta todo o amor que recebemos.

Fonte: Dra. Luelyn Jockyman CRMV-SP 14.512 Médica Veterinária especialista em comportamento de cães e gatos Membro da american Veterinary Society of Animal Behavior Animaletto Saúde e Bem-estar de cães e gatos 19 3258-9280


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