A Alopecia Psicogênica ocorre quando os gatos lambem excessivamente alguma parte do corpo até que fique careca. O diagnóstico de Alopecia Psicogênica é reservado para aqueles casos nos quais não há nenhuma outra doença presente. Qualquer outra patologia que faça o gato se coçar, como pulgas, não é uma patologia comportamental. Gatos são groomers incansáveis e passam de 30 a 50 % do tempo em que estão acordados se lambendo.
Aparentemente a Alopecia Psicogênica é uma atividade fora de contexto resultado de ansiedade ou frustração, e que com o passar do tempo pode se tornar compulsiva. Nervosismo, falta de estímulo e desejo de contato humano podem resultar no arrancamento dos pêlos. Mudanças nos horários dos donos causando ansiedade de separação, ou qualquer outra mudança na rotina da casa, familiares que foram embora ou novos membros da família (humanos ou animais) podem potencializar o aparecimento do problema. Pesquisas revelaram que o stress é capaz de induzir o grooming excessivo devido aos baixos níveis de dopamina. Seria como roer as unhas, dá um certo prazer que torna impossível parar.
O primeiro passo é confirmar que o pêlo está sendo removido por excesso de grooming e não que os pêlos estão caindo sozinhos. Isso pode ser rápida e efetivamente confirmado por um tricograma, um exame no qual os pêlos são arrancados , colocados numa lâmina e analisados no microscópio. Enquanto condições endócrinas, ou hormonais, determinam a existência de bulbos, o pêlo que foi removido através de lambidas só apresenta as pontas. Isso só confirma que a alopecia é devido ao excesso de grooming. Já é uma boa pista, porque alguns gatos se lambem escondido e seus donos relatam que nunca viram o gato arrancando o próprio pêlo, sequer se lambendo. Outra dica para o diagnóstico é que a alopecia psicogênica só terá falta de pêlos nas partes do corpo que podem ser arrancadas pela língua, ao contrário de condições como fungos e alergia, gatos com alopecia psicogênica sempre tem pêlo na cabeça e pescoço.
É essencial fazer um exame médico completo antes de dar o diagnóstico de alopecia psicogênica. Muitos gatos com tendências psicogênicas presumidas acabaram se revelando alérgicos a aerossóis, ou seja, atópicos. Esse achado é também embasado na predisposição racial de Siameses, Abissínios e Himalaios a desenvolver atopia. Esse aparente excesso de lambidas, pode ser resultado do prurido da condição alérgica da pele e não serem lesões dermatológicas primárias. As alergias inalantes felinas são melhor diagnosticadas pelo teste intradérmico. Hemogramas não são precisos. A remissão completa depois da terapia com corticosteróides, enquanto não é diagnosticada nenhuma doença específica, pode ajudar a descartar uma causa comportamental. O encaminhamento a um dermatologista antes da consulta de comportamento é o ideal. A terapia normalmente inclui anti- histamínicos como a clorfeniramina, ácidos graxos, além de imunoterapia. O gato com alopecia também deve ser avaliado para parasitas internos e externos, fungos e reações alimentares diversas. Alergias alimentares não respondem a corticosteróides. As pulgas não são sempre evidentes e às vezes são necessários vários minutos de procura em vários lugares com pente fino, particularmente na base da cauda, ombros, períneo, axilas e atrás das orelhas para se achar alguma. Os raspados de pele devem ser feitos de vários lugares representativos (queiletielose, que é um tipo de sarna, pode ser facilmente confundida com alopecia psicogênica). Assim como cultura para fungos. Sempre que possível uma dieta hipoalergênica deverá ser tentada por um mínimo de oito semanas, usando , por exemplo, comida de bebê à base de carne de ovelha ou carneiro fresco. As dietas hipoalergênicas comerciais são menos confiáveis para fazer o teste de diagnóstico porque elas não funcionam em aproximadamente 20% dos casos. Mas atenção! Essas dietas só servem para os processos de diagnóstico. Elas não são nutricionalmente balanceadas para alimentação a longo prazo. Hemogramas não são confiáveis na identificação de alergia alimentares. Outros testes laboratoriais devem ser feitos para se ter certeza do tipo de problema que o gato está apresentando.
O histórico é muito importante e deve incluir a descrição de eventos, mudanças de horários ou ambiente que ocorreram antes ou ao mesmo tempo que o início do comportamento, assim como o gato respondeu a essas mudanças. A ocorrência de outros comportamentos associados a ansiedade, como esconder-se, falta de apetite, timidez, nervosismo podem sugerir que o problema é comportamental e sim, médico.
O diagnóstico de alopecia psicogênica é reservado para aqueles casos nos quais outra doença não foi encontrada. Sempre que possível, o tratamento deve incluir eliminar a causa do stress do gato. Apesar de ser questionável se gatos sofrem ou não uma verdadeira ansiedade de separação, as técnicas usadas para reduzir comportamento destrutivo e aumentar os estímulos ambientais, como play centers, brinquedos, brinquedos recheados de catnip podem ser tentados se o comportamento ocorre na ausência do dono. Gradualmente ajudar o gato a se adaptar as longas ausência do proprietário, praticando saídas curtas pode ajudar
Reduzir o acesso a qualquer estímulo que possa causar ansiedade e talvez até obter outro gato pode melhorar ou agravar o problema. Se as técnicas de modificação de comportamento sozinhas não obtiverem sucesso, o tratamento farmacológico deve ser iniciado.
A resposta a medicação varia enormemente entre indivíduos e alguns gatos não respondem a nenhuma droga. O dono deve ser aconselhado a evitar reforçar o comportamento inadvertidamente ao dar ao gato mais atenção quando ele se coça. Distrações no momento certo, desassociadas ao dono são mais benéficas que estímulos aversivos para impedir que o gato se lamba.
Reduzir o stress na vida do gato e usar medicação ansiolítica antes ou durante situações estressantes para o gato com histórico de alopecia psicogênica pode impedir problemas futuros. Donos de gatos que foram tratados para alopecia psicogênica devem ser aconselhados sobre controle do stress na vida do gato. Pode se considerar o uso de medicação psicoativa preventivamente, assim como aumentar o exercício e estimulação ambiental quando situações altamente estressantes não puderem ser evitadas.
A maioria dos casos em que gatos aparecem com áreas sem pêlo entretanto, não é de causa comportamental. Fica mais fácil colocar a culpa num distúrbio comportamental que investigar outra causa possível, mas essa deve ser a última hipótese. Se perceber que seu gato se coça muito, ou não se coça mas está ficando careca, procure um veterinário de sua confiança.
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